quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Lição 01 O Surgimento da Teologia da Prosperidade 01 de janeiro de 2012 Professor Alberto


Lição 01
O Surgimento da Teologia da Prosperidade
01 de janeiro de 2012
Professor Alberto

TEXTO ÁUREO
“Mas, ó homem, quem és tu, que a Deus replicas? Porventura, a coisa formada dirá ao que a formou: Por que me fizeste assim?”
(Rm 9.20).

VERDADE PRÁTICA
O pecado da Teologia da Prosperidade consiste em sua anulação da soberania de Deus.

COMENTÁRIO DO TEXTO ÁUREO
“Mas, ó homem, quem és tu, que a Deus replicas? Porventura, a coisa formada dirá ao que a formou: Por que me fizeste assim?”
(Rm 9.20).
O contexto do nosso primeiro texto áureo de 2012 é Romanos 9. Neste capítulo Paulo escreve sobre seu amor a seu povo, o povo judeu, a eleição de Israel de onde descende o Cristo, segundo a carne (9.1-5), a incredulidade de Israel e as promessas de Deus (9.6-13). Escreve que a atitude de rejeição de Israel ao Messias, não incompatibiliza a justiça de Deus (9.14-18), nos versículos seguintes aborda a soberania de Deus (9.19-29) e conclui o capítulo 9 escrevendo que Israel é o responsável pelo seu próprio tropeço (9.30-33).
Portanto, esse versículo (Rm 9.20) do nosso texto áureo dá prosseguimento claro ao tema da reprovação de Deus, presente nos versículos 17 e 18 do capítulo 9, ou seja: “Porque a Escritura diz a Faraó: Para isto mesmo te levantei, para mostrar em ti o meu poder e para que o meu nome seja anunciado por toda a terra. Logo, tem ele misericórdia de quem quer e também endurece a quem lhe apraz”.
Em conformidade com esses versículos, o que Deus realmente faz? Ele toma um pouco de barro inerte e faz dele um vaso para ira, para a destruição. É óbvio que um vaso de ira não serve para qualquer propósito justo; mas bem pelo contrário, opondo-se aos mandamentos divinos e perseguindo ao povo de Deus, o vaso de ira dá margem para que Deus demonstre o seu poder, na forma de julgamento, sendo assim exaltada a sua glória.
Não há de duvidar que Paulo ainda tinha Faraó em mente; e Paulo deixa subentendido que aquilo que Faraó fez, fê-lo impelido pela vontade de Deus, que conhece a índole e o coração de cada ser humano.
Claro que a questão aqui é a plena soberania de Deus e a atitude dos judeus, seu tropeço, a aceitação de um novo povo (9.25, questões ilógicas para o povo judeu e para muitos prosélitos e até mesmo alguns convessos a Cristo, daí o questionamento: “Mas, ó homem, quem és tu, que a Deus replicas? Porventura, a coisa formada dirá ao que a formou: Por que me fizeste assim?” (Rm 9.20).
Portanto, embora nosso versículo possui um contexto específico, não exclui as pessoas que hoje, questionam a Deus por sua condição social ou tentam, desafiam ou provocam o Senhor devido a sua situação social, de saúde, casamento ou outra.
O erro, ou o pecado da Teologia da Prosperidade consiste em sua anulação da soberania de Deus. Podemos pedir ao Senhor e apresentar nossas necessidades, mas com amor, devoção, gratidão e reconhecendo sua soberana vontade, ou seja, como o Senhor Jesus nos ensinou: “E disse: Aba, Pai, todas as coisas te são possíveis; afasta de mim este cálice; não seja,

RESUMO DA LIÇÃO 01
O SURGIMENTO DA TEOLOGIA DA PROSPERIDADE
I. RAÍZES DA TEOLOGIA DA PROSPERIDADE
1. Gnosticismo.
2. Crenças Perigosas.
3. Confissão Positiva
II. PRINCIPAIS ENSINAMENTOS DA “TEOLOGIA DA PROSPERIDADE”
1. Divinização do homem.
2. Demonização da Salvação.
3. Negação do Sofrimento.
III. CONSEQUÊNCIAS DA “TEOLOGIA DA PROSPERIDADE”
1. Profissionalismo ministerial e espiritualidade mercantil.
2. Narcisismo e hedonismo.
3. Modismos e perda de ideais.

INTERAÇÃO
Professor, o tema geral do primeiro trimestre de 2012 de Lições Bíblicas: “A Prosperidade à luz da Bíblia: A vida cristã abundante”.
Explique que as treze lições analisam a prosperidade dentro de uma perspectiva bíblica ortodoxa.
Fale também sobre o comentarista, pastor José Gonçalves — escritor, conferencista, bacharel em teologia, graduado em Filosofia; membro da Diretoria da Convenção Estadual da Assembléia de Deus do Piauí (CEADEP) e do Conselho de Apologética da Convenção Geral das Assembleias de Deus do Brasil (CGADB).

OBJETIVOS
Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:
• Explicar as raízes da Teologia da Prosperidade.
• Descrever os principais ensinamentos da Teologia da Prosperidade.
• Analisar as principais conseqüências da Teologia da Prosperidade.

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA
Professor, inicie a aula de hoje dizendo aos alunos que não é errado o crente ser próspero.
Deus é bom e deseja que tenhamos uma vida abundante (Jo 10.10).
Entretanto, isso não significa que teremos ausência de dor, escassez ou momentos difíceis.
A Palavra de Deus está repleta de exemplos de homens que padeceram dores, enfermidades e escassez.
Por isso, nesta primeira lição, enfatize que não podemos aceitar as heresias e as aberrações da chamada “Teologia da Prosperidade”.
Este movimento, que surgiu no EUA, alastrou-se rapidamente pela América Latina e tem feito muitas igrejas abandonarem o genuíno Evangelho.
Precisamos estar atentos, como disse-nos Jesus: “Acautelai-vos” (Lc 12.15).

COMENTÁRIO
INTRODUÇÃO
Palavra Chave
Teologia da Prosperidade:
Uma teologia centrada na saúde e na prosperidade material, não na salvação em Jesus Cristo.
Neste trimestre, estudaremos a verdadeira prosperidade em contraposição à Teologia da Prosperidade, também conhecida como Confissão Positiva, que se constitui em uma ameaça à igreja cristã.
Veremos que o fundamento da chamada Teologia da Prosperidade é um equívoco, mas que isso não anula a prosperidade ensinada na Palavra de Deus.

I. RAÍZES DA TEOLOGIA DA PROSPERIDADE
1. Gnosticismo.
Ainda em seus primórdios, a igreja cristã teve que refutar uma doutrina que demonstrou ser nociva para a fé evangélica: o gnosticismo.
O nome gnosticismo vem do grego gnósis, que siginifica “conhecimento”. Existiram vários gnosticismos, sendo quatro grupos mais importantes: o gnosticismo síro, o egípcio, o judaizante e o pôntico.
Tratava-se de uma crença que se originou antes de Cristo, e está associada aos sírios, babilônicos, egípcios e gregos.
Os gnósticos deram muito trabalho às igrejas dos tempos apostólicos.
Seu pior período ocorreu em 135-160 d.C.
Seus ensinamentos não passavam de enxertos das filosofias pagãs nas doutrinas cristãs mais importantes.
Eles negavam o cristianismo histórico, afirmando que o Senhor Jesus jamais teve um corpo como o nosso.
Segundo eles, o corpo de Cristo existia apenas aparentemente.
Tal ensino afirmava que a matéria era má e o espírito bom.
Esse dualismo entre matéria e espírito (filosofia do antigo platonismo) levou seus adeptos a negar a realidade da matéria.
Já que a matéria não era real, o sofrimento também não passava de ilusão.
A influência desse pensamento sobre a Igreja Primitiva pode ser percebida na crença que negava a natureza humana de Cristo.
Em outras palavras, Cristo sendo bom não poderia habitar em um corpo físico que era mau.
Essa forma de crer levou o apóstolo João a combatê-los veementemente (1 Jo 2.23; 4.2,3,15).
Todos ensinavam a salvação através do conhecimento místico, e não pela fé em Jesus, e todos negavam a encarnação do “logos”.
A Bíblia é incisiva: “O Verbo se fez carne” (Jo 1.14); “todo o espírito que não confessa que Jesus Cristo veio em carne não é de Deus” (1 Jo 4.3).
É bom lembrar que os escritos de João são do final do primeiro século e compostos na cidade de Éfeso, então capital da Ásia Menor, onde surgiu o gnosticismo.
Foi a partir das crenças gnósticas que surgiram os modismos e heresias que viriam ameaçar a pureza da doutrina cristã. Entre estas ameaças está a Teologia da Prosperidade.
Ainda hoje é comum nas grandes cidades existirem grupos gnósticos ou estudos sobre gnose.

2. Crenças perigosas.
Tais pensamentos não ficaram restritos ao passado, pois a humanidade adora especulações (Ec 7.29).
Para se entender o surgimento da Teologia da Prosperidade, é preciso conhecer um pouco da história de Phineas Parkhurst Quimby (1802-1866), criador do chamado “Novo Pensamento”.
Phineas Parkhurst Quimby (1802-1866),
criador do chamado “Novo Pensamento”.
Quimby estudou espiritismo, ocultismo, parapsicologia e hipnose e, além de panteísta e universalista, acreditava também que o homem tem parte na divindade.
Por isso, defendia que o pecado e a doença existem apenas na mente.
Mary Baker Eddy (1821-1910), fundadora da “Ciência Cristã”, tornou-se discípula de Quimby após ser, supostamente, curada por ele.
Mary Baker Eddy (1821-1910), fundadora da “Ciência Cristã”

3. Confissão positiva.
A crença que diz ser possível ao cristão viver em total saúde e prosperidade financeira é resultado da junção dessas idéias.
A ponte entre as crenças do Novo Pensamento, Ciência Cristã e a fé propriamente dita, foi feita por E. W. Kenyon e posteriormente por Kenneth E. Hagin.
Essek. W. Kenyon (1867 -1948)
Kenyon foi um cristão devoto, mas contaminou-se com os ensinos da Ciência Cristã.
É dele a frase: “o que eu confesso eu possuo”, embrião da confissão positiva.
Já Kenneth E. Hagin foi influenciado por Kenyon e deste obteve a maioria dos seus ensinamentos.
Hagin fundou seu ministério passando a divulgar a Teologia da Prosperidade ou Confissão Positiva.
Kenneth Hagin (1917 – 2003)
Kenneth Hagin foi acusado de ter plagiado a maioria dos ensinamentos de Kenyon e ficou famoso por ter afirmado que morreu e foi ressurreto 3 vezes.
Ao pregar que os cristãos não podem sofrer ou ficar doentes e que devem tornar-se ricos à custa de sua fé, esse ensino tem produzido uma geração de crentes interesseiros e materialistas.
Deus “tornou-se” refém de leis espirituais que Ele supostamente teria criado.
O segredo é descobrir como usar tais leis e assim conseguir o que quiser.
Uma das mais utilizadas é a do determinismo.
Ele dizia que: “É necessário crer, declarar verbalmente a fé e então agir como se já tivesse recebido a bênção”.
O determinismo é uma fórmula que tem a força de mandar até mesmo em Deus!

Outros defendosres da Confissão Positiva são:
Kenneth Copeland
Benny Hinn
Frederick Price
Paul (David) Yonggi Cho
Mike Murdock
Morris Cerullo

Oral Roberts (1918- 2009)
OS REPRESENTANTES DA TEOLOGIA DA PROSPERIDADE NO BRASIL
Edir Macedo
R.R. Soares
Estevam Hernandes e Sônia Hernandes
Renê Terranova

Eles fazem parte do cotidiano de muitos líderes da igreja brasileira, que por força da sua influência, tem levado o membro comum a achar que este tipo de vida é a que o Senhor Jesus espera de nós.
Eles divulgam suas idéias através de literatura, que eles classificam como boa, quando na verdade são materiais e ensinos cheios de sofismas e engano.
Uma vez que essas distorções passaram a ser reproduzidas em todo o mundo, não tardaram a chegar aqui através dos que andam a procura de novidades, desprezando a suficiência das Escrituras (Sl 119.14,72; Mt 4.4; Jo 17.17).

SINOPSE DO TÓPICO (I)
As raízes da Teologia da Prosperidade não estão firmadas nas Sagradas Escrituras.

II. PRINCIPAIS ENSINAMENTOS DA “TEOLOGIA DA PROSPERIDADE”.
1. A divinização do Homem.
A partir de uma interpretação equivocada de Salmos 82.6, os teólogos da prosperidade criaram a doutrina dos “pequenos deuses”.
Kenneth Copeland, pregador da Teologia da Prosperidade, afirmou certa feita: “Cachorros geram cachorros, gatos geram gatos e Deus gera deuses”.
A intenção dessa doutrina é ensinar a “teologia do domínio”.
Sendo deus, o crente agora pode tudo.
A Bíblia, porém diz que o homem é estruturalmente pó (Gn 2.7; 3.19).

2. Demonização da Salvação.
Esse ensino chega ao extremo de afirmar que, ao morrer na cruz, Cristo teria assumido a natureza de Satanás e que o Filho de Deus teve de nascer de novo no inferno a fim de conquistar a salvação.
Assim, os proponentes da Teologia da Prosperidade colocam o Diabo como coautor da salvação.
Pois esta não aconteceu na cruz quando Cristo bradou “Está consumado!”, mas somente quando Ele voltou do inferno onde teria derrotado Satanás em seu próprio terreno.
Hagin disse que o grito de Jesus referia-se ao fim da Antiga Aliança e não ao cumprimento do processo da salvação.
A Bíblia, porém, diz que a salvação foi conquistada na cruz e que o maligno não tem parte com o Senhor (Mt 27.51; Jo 14.30).

3. Negação do sofrimento.
Os crentes não precisam mais sofrer.
Todo sofrimento já foi levado na cruz do Calvário e o Diabo deve ser responsabilizado por toda e qualquer situação de desconforto entre os crentes.
Aqui há uma clara influência da Ciência Cristã que também não admite o sofrimento.
A Bíblia diz que o cristão não deve temer o sofrimento e tampouco negá-lo (Cl 1.24; Tg 5.10)

SINOPSE DO TÓPICO (II)
Contrariando o que a Bíblia diz, que o homem é estruturalmente pó, a Teologia da Prosperidade afirma que os homens são “pequenos deuses”.

III. CONSEQUÊNCIAS DA “TEOLOGIA DA PROSPERIDADE”
1. Profissionalização ministerial e espiritualidade mercantil.
A primeira conseqüência danosa que a Teologia da Prosperidade causa pode ser vista nos púlpitos.
O ministério que anteriormente era vocacional tornou-se, em alguns círculos, algo meramente profissional.
Os pastores passaram a ser vistos como executivos bem-sucedidos!
O pastor agora é visto como um profissional liberal e não como um ministro de Deus.
Segundo a Teologia da Prosperidade, ele não mais pastoreia (1 Pe 5.2), mas gerencia sua igreja.
A igreja passa a ter a mesma dinâmica administrativa de uma grande empresa.
A fé tornou-se um bem de consumo e os adoradores foram alçados a consumidores.
Já existem denominações que contratam institutos de pesquisas para verificar se abrir uma igreja em determinado bairro é viável.
Pode ser que não seja lucrativo (1 Tm 6.5)!

2. Narcisismo e Hedonismo.
O narcisista é aquele que só pensa em si e nunca nos outros (Fp 2.4).
A Teologia da Prosperidade tem gerado milhares de crentes narcisistas.
Estão morrendo e matando uns aos outros.
Já o hedonista é aquele que vive em função dos prazeres.

3. Modismos e perda de ideais.
De vez em quando aparece uma nova onda no meio dos crentes.
São modismos teológicos para todos os gostos.
Antes era o cair no espírito, a unção do riso, etc.
Atualmente a lista está bem maior.
Outra conseqüência terrível da Teologia da Prosperidade é a perda dos ideais cristãos.
Ao criar essa mentalidade de mercado e transformar os crentes em consumidores, a Teologia da Prosperidade acabou esvaziando os ideais do Reino de Deus.
Para que buscar o perfeito estado eterno se é possível possuir tudo agora?
A escatologia bíblica é trocada por uma teologia puramente utilitarista (Mt 6.33; Cl 3.2).

SINOPSE DO TÓPICO (III)
A divinização do homem, a demonização da salvação e a negação do sofrimento são os principais pilares da Teologia da Prosperidade.

CONSIDERAÇÕES FINAIS
A Bíblia fala da verdadeira prosperidade, mas os excessos criados por uma teologia que fomenta o materialismo é anti-bíblico.
Devemos nos resguardar dos absurdos criados pela Teologia da Prosperidade no que concerne à doutrina cristã.
Nenhum crente, a fim de prosperar, necessita aderir às fórmulas inventadas pelos pregadores da prosperidade.
A verdadeira prosperidade vem como resultado de um correto relacionamento com Deus que é fruto de um coração obediente.

BIBLIOGRAFIA SUGERIDA
HANEGRAAFF, H. Cristianismo em Crise. 4.ed., RJ: CPAD, 2004.
SOARES, E. Heresias e Modismos. Uma análise crítica das sutilezas de Satanás. 1.ed., RJ: CPAD, 2008.

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