quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

CARACTERÍSTICAS DE UM BOM PROFESSOR DE ESCOLA DOMINICAL


I. O QUE É O PROFESSOR
a) Etimologia: O significado etimológico do vocábulo professor é bastante curioso. Trazido da palavra latina professore, denota aquele que professa ou ensina uma ciência, uma arte, uma técnica, uma disciplina.
b) Definição: Professor é a pessoa perita, ou adestrada, para, não somente transmitir conhecimentos, mas principalmente formar o caráter de seus pupilos.
c) Conceito pedagógico: Sempre admirável em suas proposições, Aguayo dá-nos esta belíssima definição: Professor é quem conscientemente, e com um propósito determinado, influi sobre a educação de uma comunidade. Educadores e professores são, pois, o sacerdote, o filósofo, o estadista, o magistrado, os pais, os grandes escritores e, em geral, toda pessoa que se propõe estimular, guiar e dirigir o pensamento, a conduta ou a vida dos seus semelhantes.

II. O PROFESSOR COMO INTERMEDIÁRIO
Devem os professores atuar como os reais intermediários entre os especialistas e os alunos. Esta função do mestre foi muito bem entendida pelo admirável escritor Monteiro Lobato: A função do mestre profissional fez-se cara. Tinha de ser o intermediário entre o especialista e o povo, tinha de aprender a linguagem do especialista, como este aprendia a linguagem da natureza, e desse modo romper as barreiras erguidas entre o conhecimento e a necessidade de aprender, descobrindo meios de expressar as novas verdades em termos velhos que toda gente entendesse. Isso porque se o conhecimento se desenvolve demais, a ponto de perder o contato como homem comum, degenera em escolástica e na imposição do magister; o gênero humano encaminhar-se-ia para uma nova era de fé, adoração e distanciamento respeitoso dos novos sacerdotes; e a civilização, que desejava erguer-se sobre uma larga disseminação da cultura, ficaria, precariamente, baseada sobre uma sabedoria técnica, monopólio duma classe fechada e monasticamente separada do mundo pelo orgulho aristocrático da terminologia.

III. A IMPORTÂNCIA DO PROFESSOR DA ESCOLA DOMINICAL
É justamente com esse elemento tão importante da educação que os superintendentes estão lidando. Não podemos ignorá-lo, nem subestimar-lhe o valor. De nosso relacionamento com ele, dependerá todo o nosso êxito como responsáveis pelo mais importante departamento da igreja. Além disso, são os professores os intermediários entre os doutores e o povo. Na antigüidade, professor era aquele que, publicamente, professava a sua fé. Que nós professores e superintendentes de Escola Dominical jamais nos esqueçamos desse sacratíssimo dever de nosso ministério! Professemos sempre a fé no Cordeiro de Deus.

IV. OS REQUISITOS BÁSICOS DO PROFESSOR DA ESCOLA DOMINICAL
Theobaldo Miranda Santos afirmou, certa ocasião, que o professor não é somente aquele que educa por profissão. É aquele que, por vocação, ensina. Quem pode contestar o ilustre pedagogo brasileiro? Ora, se assim deve agir o professor secular, o que não diremos acerca do professor que tem como missão ensinar a Palavra de Deus? Vejamos, a seguir, os requisitos exigidos daquele que se propõe a ensinar:
a) Vocação: É o ato de chamar. É o pendor, a disposição e a pendência para alguma coisa. Paulo comparou o ensino a uma chamada divina: De modo que, tendo diferentes dons, segundo a graça que nos é dada: se é ensinar, haja dedicação ao ensino (Rm 12.7). A vocação ao ensino da Palavra de Deus, por conseguinte, é algo sagrado.
b) Amor ao ensino: Não basta ser vocacionado ao ensino; é necessário que se tenha pelo ensino um sacrificado amor. Os que, no magistério, vêem apenas uma fonte de renda, sentir-se-ão continuamente frustrados. Antes de mais nada, consideremos: o ensino, como todo o sacerdócio, não foi instituído para enriquecer quem o pratica, e, sim, aqueles a quem ele se destina. Jamais deve o professor esquecer-se do que disse Platão: Os que levam fachos de luz devem passá-los a outros.
c) Dedicação ao ensino: Os chineses têm um ditado: Cem livros não valem um bom professor. Basta um instante de reflexão para se concluir: cem livros não valem um professor desde que este seja dedicado ao ensino.
d) Exemplaridade moral: João Batista de La Salle, impressionado com a decadência do ensino em sua época, resolveu fundar uma escola que educasse dignamente as crianças, e cujos professores se destacassem, acima de tudo, pelo exemplo moral. Como carecemos de pessoas moralmente sadias! Se não tivermos mestres que sejam doutores na conduta, jamais poderemos alistar cristãos que sejam graduados no agir, adestrados no pensar e aptos a servir a Deus. Eis o que certa vez recomendou Raul Ferrero: Dentro e fora da escola, o mestre deve ser um paradigma de correção e de boa conduta porque a virtude se irradia sobre os demais como um exemplo vivificador. Enobrece o espírito e concede ao homem um traço de incontestável respeitabilidade. Requer, pois, o educador sólidos princípios morais e religiosos, severamente observados. Como só se pode transmitir o que se possui, o mestre, ensinando a moral, tem de vivê-la com sóbrio orgulho e inculcá-la com paternal solicitude.
e) Vida espiritual: Precisamos de professores que se dediquem amorosa e sacrificialmente ao Senhor Jesus. Não basta ter vocação ao ensino; é imprescindível o devotado amor ao Divino Mestre. Como podemos ensinar o amor a Cristo, se desconhecemos o sentido do amor divino? Ensina o pastor Antonio Gilberto: O professor espiritual e preparado completa o trabalho do evangelista ou pregador. O ensino da Palavra deve ser em toda igreja uma seqüência da pregação.
f) Preparo físico: Tendo em vista as dificuldades inerentes ao ensino, é fundamental que o professor esteja preparado fisicamente. Terá ele, afinal, de ministrar aulas que, em média, duram de quarenta minutos a uma hora. Recomenda-se, pois, ao professor que cuide bem de sua saúde, alimente-se na hora certa e não sacrifique as horas de sono.

V. OS PRINCIPAIS DEVERES DO PROFESSOR DA ESCOLA DOMINICAL
Como em toda a escola, o corpo docente deve cumprir fielmente as suas obrigações. Doutra forma, o grande projeto, que é a Escola Dominical, jamais alcançará seus objetivos.
a) Preparo da lição: Que cada professor gaste pelo menos uma hora por dia no preparo de sua lição. Aqueles que só lêem a lição no domingo, minutos antes de ir à Escola Dominical, estão fadados ao fracasso.
b) Pontualidade: O professor deve chegar à Escola Dominical com, pelo menos, trinta minutos de antecedência. Ele poderá, assim, verificar se a sua sala está devidamente preparada. Além disso, poderá dispor de alguns minutos para orar a fim de que Deus o abençoe na ministração da matéria.
c) Visitar os alunos: O professor não deve permitir que os faltosos fiquem sem a devida assistência espiritual. Visitando-os em suas lutas e provações, os mestres muito nos ajudarão a viver um grande avivamento espiritual.
d) Orar pela classe: Os professores devem interceder por suas respectivas classes e pela Escola Dominical como um todo. Sem oração, não pode haver progresso. A sugestão é que toda a semana o superintendente se reúna com os professores e a diretoria da Escola Dominical a fim de interceder por esta junto a Deus. Aí está a chave da vitória.
e) Freqüentar a reunião dos professores: Os professores devem freqüentar regularmente a reunião dos professores. É a oportunidade de que dispomos para incutir o espírito de corpo (unidade espiritual) de que deve haver em cada Escola Dominical. Além disso, precisarão observar as orientações didáticas e pedagógicas concernentes às lições a serem ministradas.



Fonte: Paulo Galvão, paulos_galvao@hotmail.com

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