segunda-feira, 18 de junho de 2012

Subsídios - Aula 13 - A FORMOSA JERUSALÉM


Texto Básico: Apocalipse 21:9-18

“Mas nós, segunda a sua promessa, aguardamos novos céus e nova terra, em que habita a justiça”(2Pe 3:13)

INTRODUÇÃO

Quando Deus criou o ser humano Ele o fez não para viver um período de tempo determinado, mas para viver indefinidamente, desde que fosse obediente ao seu Deus, ao seu Criador. Deus o proibiu de comer “da árvore do conhecimento do bem e do mal”; se fosse desobediente a esse mandamento morreria (Gn 2:17), ou seja, enquanto O obedecesse, viveria independentemente do tempo. O ambiente desta eternidade condicional era o Éden, onde Deus havia criado um jardim para nele pôr o homem e sua companheira (Gn 2:8). Entretanto, o homem desobedeceu a Deus, por isso passou a sofrer o impacto do tempo e a morte física (Gn 3:19), bem como a destituição da glória de Deus. Por causa disso, o ser humano perdeu a oportunidade de viver num lugar onde desfrutaria continuadamente da presença e da companhia do Senhor (Gn 3:22,23). Foi expulso do Éden. Entretanto, é importante observar, que ao expulsar o homem do Éden, Deus mostrou toda a Sua misericórdia e graça, pois, dali por diante, empreendeu um plano a fim de fazer o homem retornar ao convívio eterno com Ele, numa eternidade irreversível. O alvo de Deus para o homem é, precisamente, criar este novo ambiente de comunhão, este novo “tabernáculo de Deus com os homens”(cf Ap 21:3), que é, precisamente, a Nova Jerusalém, a Formosa Jerusalém Celestial, de que falaremos nesta Aula.

I. O QUE É A NOVA JERUSALÉM CELESTIAL
A Nova Jerusalém é a cidade celestial que foi feita para ser o local onde Deus habitará juntamente com os homens que lhe foram fiéis e aceitaram a sua oferta de submissão e obediência à sua Palavra. É o local que substituirá o Éden como morada de Deus com os homens. Ela é explicitamente mencionada e revelada no capítulo 21 do livro do Apocalipse, mas, antes da visão do apóstolo João, já havia referências a ela nas Escrituras. O próprio Jesus já havia mencionado existir um lugar que seria por Ele preparado para que os seus servos nele habitassem para sempre com o Senhor (João 14:1-3). 
O objetivo de Deus é fazer com que tenhamos, novamente, um lugar onde possamos habitar com Deus, e a Nova Jerusalém é este local. Mas, se bem analisarmos, veremos que o Senhor é tão maravilhoso que, ao invés de tão somente substituir o Éden, proporcionou um lugar melhor do que o Éden. Ao vermos que a Nova Jerusalém é superior ao Éden, temos que concluir que os bem-aventurados que nela puderem entrar (cf. Ap 22:14) reconhecer-se-ão uns aos outros, serão pessoas conscientes de onde estão, de quem são e porque ali estão.
Muitos indagam se no Céu nós iremos ter noção de quem somos, de onde estamos e que o que estaremos a fazer. Muitos acham que, como a Bíblia afirma que não nos lembraremos mais de nossas dores e tristezas deste mundo, seremos pessoas sem noção do que fomos aqui na Terra e não teremos condição de nos reconhecermos uns aos outros. Entretanto, não entendemos assim. Por que Deus salvaria milhões e milhões de pessoas, para com eles habitar, se estas pessoas não tivessem sequer a noção de quem são, de quem é Deus e de onde estão? Como pessoas que venceram o pecado, que combateram o bom combate, que foram fiéis até o fim, passariam a eternidade sem a mínima noção de quem são? Como poderiam pessoas glorificadas terem menos consciência do que quando viviam ainda numa natureza sujeita ao pecado? Certamente que homens e mulheres remidos, vivos para todo o sempre, não terão motivo algum para se lembrarem ou se amargurarem com sofrimentos, pesares, recordações do tempo em que viveram nos antigos céus e terra. Agora, o fato de não nos lembrarmos, de não ficarmos presos a fatos passados, em absoluto significa que seremos verdadeiros “zumbis” na Nova Jerusalém, sem saber sequer quem somos. Deus, pelo seu caráter, jamais iria realizar um plano para a salvação do ser humano que quis conhecer o bem e o mal, para ter adoradores inconscientes e sem noção sequer de quem são. Como poderá o ser humano, na eternidade, louvar e bendizer ao Senhor, para todo o sempre, sem sequer saber quem é e que existem outras pessoas ali juntamente com ele? Definitivamente, não é esta ideia concordante com o que as Escrituras afirmam ser o nosso Deus.
Se soubesse que, na eternidade, eu seria apenas uma “fumacinha”, vagando na imensidão de um céu irreal, sem identidade, despojado de minha personalidade, não sabendo quem eu sou, e nem quem eu fui, de onde vim e o que estou fazendo ali, então eu não gostaria de estar lutando para viver nesse céu!
Todavia, pela Bíblia, eu sei que existe um Céu, que este Céu é real, que o Senhor Jesus o identificou como sendo a “Casa de meu Pai”. Que lá eu terei um corpo semelhante ao de Jesus, real, tangível, glorioso. Que eu terei uma identidade, que vou saber quem sou, como cheguei até ali, que vou poder servir, e adorar, eternamente o meu Salvador e Redentor.

II. AS CARACTERISTICAS DA NOVA JERUSALÉM

O Apóstolo João disse: “... e mostrou-me a grande cidade, a santa Jerusalém...”. Quer nos parecer que João não teve dúvidas em identificar o que ele viu: ele disse ter visto uma cidade. Contudo, descrever como era essa cidade, tornou-se um desafio para o Apóstolo “... a quem Jesus amava...”(João 21:20). Certamente que, sob a orientação do Espírito Santo, ele usou símbolos, figuras, para falar da grandeza, da perfeição, da beleza da Formosa Jerusalém Celestial.
1. É um lugar real. A Formosa Jerusalém Celestial é uma cidade real, visível, palpável; uma cidade que tem fundamentos e cujo Artífice e Construtor é o próprio Deus (Hb 11:10).
a) Abraão pôde crer na existência desta cidade. Abraão viveu aqui na Terra, porém, não fixou nela as suas raízes. Ele tinha os pés na terra e o pensamento no céu. Era diferente de muitos pregadores de hoje, os quais induzem o povo a pensar e a lutar pela conquista dos bens terrenos. Com relação a ele a Bíblia diz: “Pela fé Abraão, sendo chamado, obedeceu, indo para um lugar que havia de receber por herança; e saiu, sem saber para onde ia. Pela fé habitou na terra da promessa, como em terra alheia, morando em cabanas com Isaque e Jacó, herdeiros com ele da mesma promessa. Porque esperava a cidade que tem fundamentos, da qual o artífice e construtor é Deus”(Hb 11:8-10). Hoje nós sabemos, pela revelação que foi dada ao apóstolo João que esta cidade é a Formosa Jerusalém Celestial. Abraão creu na existência desta cidade. Não sabemos como ele teve essa revelação, mas ele tinha convicção de que ela era real.
b) Paulo também pôde crer como creu Abraão. Paulo cria, como creu Abraão, por isto dizia que - “... a nossa cidade está nos céus, donde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo” (Fp 3:20). Abraão não fundou nenhuma cidade, na Terra: nem ergueu um Império para si, ou para os seus. Paulo, também, não! Abraão e Paulo, dois homens chamados por Deus, viveram na esperança de um dia habitar na Jerusalém Celestial, a Cidade que tem fundamento e cujo Artífice e Construtor é Deus.
c) Nós também podemos crer, como creram Paulo e Abraão. Nós somos crentes, porque cremos. Fomos chamados para crer. Não necessitamos de ver, para crer, mas, cremos para ver. Por isto temos a viva esperança não apenas de ver, mas de morar, eternamente, na Formosa Jerusalém Celestial.
d) Lá, o nosso corpo será real. O Corpo de Jesus era real, era palpável, podia ser tocado pelas mãos dos homens. Para vir à Terra ele tomou um Corpo igual ao nosso. Quando Ele ressuscitou, o seu Corpo não era intangível, não era uma simples “fumaça”. Ele podia ser tocado pela mão de alguém - E, falando ele dessas coisas, o mesmo Jesus se apresentou no meio deles e disse-lhes: Paz seja convosco. E eles, espantados e atemorizados, pensavam que viam algum espírito. E ele lhes disse: Por que estais perturbados, e por que sobem tais pensamentos ao vosso coração? Vede as minhas mãos e os meus pés, que sou eu mesmo; tocai-me e vede, pois um espírito não tem carne nem ossos, como vedes que eu tenho. E, dizendo isso, mostrou-lhes as mãos e os pés”.Mostrou-lhes as “mãos e os pés”, porque neles estavam, como ainda estão, as marcas dos cravos com os quais ele foi pregado na cruz. Quando Ele vier, no Dia da Revelação do Senhor, antes do Milênio e no final da Grande Tribulação, os judeus, ao vê-lo, perguntarão: “... que feridas são essas nas tuas mãos? Dirá ele: são as feridas com que fui ferido em casa dos meus amigos” (Zc 13:6).
Sabemos, pela Bíblia, que quando Ele vier este nosso corpo corruptível e mortal será transformado“Porque convém que isto que é corruptível se revista da incorruptibilidade e que isto que é mortal se revista da imortalidade”(1Co 15:53). Será, pois, nesse Dia, que o Senhor Jesus “...transformará o nosso corpo abatido, para ser conforme o seu corpo glorioso, segundo o seu eficaz poder de sujeitar também a si todas as coisas” (Fp 3:21).
Portanto, o nosso corpo com o qual seremos levados para o Céu, no Dia do Arrebatamentoseráconforme o corpo de Jesus; então nós receberemos um corpo real, palpávelNão seremos, apenas, “uma fumaça”. Que maravilhosa Esperança!
2. Sua localização. A Formosa Jerusalém não é o Céu. Ela está no Céu, e que, de lá, descerá até próximo à Terra, quando o Senhor Jesus Cristo vier para implantar seu Reino, aqui na Terra, conforme o Apóstolo João escreveu - “E veio um dos sete anjos que tinham as sete taças cheias das últimas sete pragas e falou comigo, dizendo: Vem, mostrar-te-ei a esposa, a mulher do Cordeiro. E levou-me a um grande e alto monte e mostrou-me a grande cidade, a santa Jerusalém, que de Deus descia do céu”(Ap 21:9-10). A Formosa Jerusalém descerá do Céu e estará aqui durante o Milênio. Tal como o anjo mostrou a João, estará no Milênio colocada, fixamente, no vazio, entre o céu e a Terra, sobre a Jerusalém terrestre, pela mesma força que sustenta toneladas de águas presas pelas nuvens e que sustenta a Terra, suspensa sobre o nada, conforme escreveu Jó: O norte estende sobre o vazio; suspende a terra sobre o nada. Prende as águas em densas nuvens, e a nuvem não se rasga debaixo delas”(Jó 26:7-8).
O Dr. Caramuru Afonso Francisco escrevendo sobre este assunto – numa de suas participações para EBD -, disse: “É importante verificarmos que a Nova Jerusalém já está vindo para ocupar o seu devido lugar no novo universo que será formado. Esta cidade maravilhosa vem continuadamente vindo em direção à Terra. Chegará à área das regiões celestiais - hoje habitadas pelas hostes espirituais da maldade -, no instante do Arrebatamento da Igreja. Depois, já com a Igreja arrebatada em seu interior, continuará a descer e atingirá a atmosfera terrestre exato sete anos depois, quando, então, ocorrerá a batalha do Armagedom. Após essa batalha, receberá em seu interior, os que completarem a primeira ressurreição (as duas testemunhas, os 144 MIL e os mártires da Grande Tribulação). Em seguida, nos ares de nossa atmosfera, pairará durante todo o Milênio. Por fim, ao término do Milênio, ocupará o seu devido lugar, nos novos céus e nova terra, que substituirão os antigos céus e terra. A Nova Jerusalém seria, assim, como uma super e gigantesca estação espacial a caminho da Terra”.
Jesus afirmou que a Nova Jerusalém já existia ao tempo de Seu ministério terreno. Sua assertiva é bem clara: “na casa do meu Pai, há muitas moradas, se não fosse assim, Eu vo-lo teria dito. Vou preparar-vos lugar”. A Cidade santa já existia e já tinha muitas moradas. Embora ela existisse, porém, o ser humano não poderia habitá-la, ou seja, o homem não estava preparado para poder ingressar nesta cidade, precisamente porque tinha suas vestes manchadas pelo pecado. Veja este paralelo: Os Estados Unidos existe; lá têm milhares de cidades, com casas, edifícios; mas não há lugar algum preparado para aquele estrangeiro que não tiver visto para ali entrar. No dia em que lhe for providenciado um visto, ele ali poderá entrar, ele ali terá lugar. Pois é exatamente o que ocorre com a Nova Jerusalém Celestial. Jesus afirmou que a cidade já existia, que tinha muitas moradas, mas o lugar ainda não estava preparado, porque não havia como o ser humano conseguir ali entrar. Era preciso que alguém morresse e pagasse o preço da desobediência e, assim, retirasse o obstáculo que impedia o acesso do ser humano à árvore da vida (Gn 3:24). Esse obstáculo foi retirado por Jesus, quando morreu por nós na cruz do Calvário e, assim, nos abriu um novo e vivo caminho que nos introduz à Jerusalém celestial (Hb 10:19-23). Isso é mui maravilhoso! Glorifique a Deus por isso!
3. Seu aspecto. A descrição da Nova Jerusalém é sublime e nos enche de gozo e nos faz pensar, como o poeta sacro, que, se é glorioso pensar nas grandezas dali, que não será desfrutá-las. E é por isso que o apóstolo Paulo nos conclama a jamais desanimarmos nem desistirmos, por maiores que sejam as provas e as lutas, pois “… as aflições deste tempo presente não são para comparar com a glória que em nós há de ser revelada” (Rm 8:18). No entanto, não devemos nos esquecer que a nova Jerusalém é de outra dimensão, da dimensão celestial; portanto, muito de sua descrição é figurativa, é alegórica, não pode ser compreendida literalmente, pois se trata de uma descrição feita por Deus aos homens para que pudéssemos compreender, na limitação da nossa mente, o que nos está reservado, pois é algo que está muito além de nossa parca imaginação (ler 1Co 2:9).
a) Ela tem a glória de Deus (Ap 21:11). A glória de Deus é uma característica típica dos lugares santos, e, por isso, a Nova Jerusalém é o lugar santo por excelência e nela não haverá necessidade de templo, pois o seu templo será o próprio Deus.
b) A Cidade tem doze portas, com os nomes das doze tribos de Israel e o muro da cidade, doze fundamentos, com os nomes dos doze apóstolos do Cordeiro. Isto, naturalmente, é uma linguagem figurada para nos mostrar que o fundamento, a razão de ser da convivência eterna com Deus é a salvação na pessoa bendita de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Pode, também, significar que a Igreja que ali está, foi a Igreja que ensinou e que viveu de acordo com a Doutrina dos Apóstolos.
c) A cidade tem um “muro”. João descreve a Formosa Jerusalém Celestial, procurando, com certeza, traduzir para o entendimento tudo o que seus olhos contemplavam. Esse “muro” simboliza a segurança absoluta em que estarão os seus habitantes; simboliza que a Cidade é organizada.
Uma muralha bem fortificada era símbolo da segurança da Cidade. A Babilônia era considerada uma cidade inconquistável, por causa de suas muralhas. Segundo os historiadores, ela era circundada por uma muralha de 96 quilômetros de extensão, 90 metros de altura por 25 de espessura. Possuía 250 torres e 100 portões de cobre. Dentro destas muralhas a cidade tinha condições de resistir a um cerco de 20 anos. O Rei Belsazar sentia-se seguro, a ponto de celebrar uma grande festa em seu palácio, embora Babilônia estivesse cercada, há dois anos, pelo exército de Ciro.
O Muro da Formosa Jerusalém Celestial é mais alto que um prédio de vinte andares – cento e quarenta e quatro côvados. Considerando-se as diversas variações do côvado, podemos dizer que o “muro” tinha de altura cerca de uns setenta metros. Mas é uma forma clara de o Senhor nos revelar que a Nova Jerusalém é um local de ordem, de organização, de proteção divina e onde o Senhor estabelecerá o seu domínio para todo o sempre.
d) A sua riqueza é incomparável. A Cidade é descrita como contendo pedras preciosas e ouro; os muros são feitos e ornados de pedras preciosas, as ruas, de ouro. Os remidos pisarão em ruas de ouro, ou seja, os valores materiais, aquilo que os homens tanto veneram e respeitam em nossa vida secular, nada representam na vida celestial.
e) A Formosa Cidade não necessita de Sol nem de Luz. Ela não necessitará de sol nem de luz, porque será iluminada pela glória divina e, mais, terá o Cordeiro como sua lâmpada (Ap 21:23).
f) A Cidade apresenta o rio puro da água da vida, claro como cristal, que procede do trono de Deus e do Cordeiro e, no meio da praça, a árvore da vida, que produz doze frutos, dando o seu fruto de mês em mês, cujas folhas são para a saúde das nações (Ap 22:1,2). Esta linguagem, que é figurada, fala-nos da eternidade de que desfrutarão os habitantes desta santa Cidade. No Éden, o homem possuía uma eternidade condicional, embora, enquanto obedecesse ao Senhor, jamais morreria. Aqui, porém, a situação é bem diferente: o homem tem a vida eterna, esta dádiva que é recebida por todos aqueles que crêem em Jesus Cristo (João 3:16; 17:3;1João 2:25; 5:11,12).
·   O texto de Ap 22:1,2 fala-nos da vida, porque o rio puro da água da vida que procede do trono de Deus e do Cordeiro é símbolo da comunhão entre Deus e o homem através de Jesus Cristo, resultado da crença em Jesus. “Quem crê em Mim, como diz a Escritura, rios de água viva manarão do seu ventre” (João 7:38); e “…aquele que beber da água que Eu lhe der nunca terá sede, porque a água que Eu lhe der se fará nele uma fonte de água a jorrar para a vida eterna (João 4:14). Somente pode morar na Nova Jerusalém quem tem a vida eterna, quem recebeu a água viva oferecida por Jesus.
·   O texto também nos fala de eternidade, porque nos diz que, no meio da praça, há “a árvore da vida”. A vida na Nova Jerusalém é eterna, pois Deus se encarregará de regenerar constantemente o homem, de impedir que o tempo tenha qualquer efeito sobre ele. É o Estado Eterno, ou seja, o tempo não mais existirá. Os séculos terão se consumado (Mt 28:20), mas o Senhor continuará conosco, providenciando e garantindo a perpetuidade da nossa existência ao Seu lado. A árvore da vida é o próprio Cristo, o Pão da Vida - “…o pão que desce do céu, para que o que dele comer não morra”(João 6:50), “…o pão vivo que desceu do céu [que] se alguém comer (…) viverá para sempre” (João 6:51a). A comunhão que nos dá a vida eterna, simbolizada na ceia do Senhor, será, então, uma realidade contínua e completa para todo o sempre.
·   O texto também nos fala que, “de mês em mês, dá seu fruto e que seu fruto é restaurador, sarador, é para a saúde das nações”. A periodicidade mencionada aqui no texto de Ap 22:2 é figurativa. Apenas retrata a constância com que se dará esta comunhão, pois, na Nova Jerusalém, não haverá mais tempo.
·   Também é figurativa a afirmação concernente à saúde das nações, pois, na Nova Jerusalém, não haverá qualquer possibilidade de doença. O que o texto está a afirmar é que a restauração espiritual operada nos homens que perseveraram até o fim será eternamente sustentada e garantida pelo Senhor, a nossa árvore da vida.

g) Haverá grande alegria, pureza e santidade (Ap 21.2,11). Lá só haverá alegria, infinitamente superior a tudo o que já sentimos nesta vida. Imaginemos qual será o sentimento de todos nós, ao vermos o rosto de Deus e do Cordeiro (Ap 22:4).
h) Para sempre serviremos ao Senhor (Ap 22.3). Alguns pensam que no Céu, na eternidade com Cristo, na Santa Cidade, não haverá trabalho. Esquecem-se de que Deus, sendo perfeito em tudo, trabalha (João 5:17; Is 64:4). Aqueles que tiverem sido servos do Senhor aqui hão de continuar a servi-lo ali: "os seus servos o servirão". 
Estejamos, pois, preparados para o glorioso Dia do Arrebatamento da Igreja, pois "assim estaremos sempre com o Senhor. Portanto, consolai-vos uns aos outros com estas palavras" (1Ts 4:17,18).

III. O PERFEITO ESTADO ETERNO

O Estado Eterno é chamado de Novo Céu e Nova Terra, que não devem ser confundidos com os novos céus e nova terra descritos em Isaias 65:17-25. A passagem do Antigo Testamento trata do Milênio, pois o pecado e a norte ainda estão presentes. Os dois elementos (o pecado e a morte) serão totalmente excluídos do Estado Eterno; neste só haverá perfeição.

No Estado Eterno haverá:

1. Governo perfeito. O homem não tem sabido, nem podido governar bem a Terra. Todas as tentativas humanas nesse sentido fracassaram: dos gregos, através da cultura; dos romanos, através da força e da justiça; e dos governantes dos nossos tempos, através da ciência e da política. Mas Cristo exercerá um governo perfeito, no seu tempo. Nunca jamais haverá desordem, insatisfação, injustiça.
2. Habitantes perfeitos. "Nunca mais haverá qualquer maldição" (Ap 22:3), Isto é, não haverá mais pecado, o que resultará em santidade perfeita. Foi o pecado que trouxe toda sorte de maldição(ler Gn 3:17; Gl 3:13).
3. Serviço perfeito. "Os seus servos o servirão" (Ap 22:3). O maior privilégio do homem é servir a Deus. O trabalho para Deus será então perfeito. Culto perfeito. Atividades perfeitas. Quantas maravilhas não aguardam os salvos!?
4. Comunhão perfeita. A Formosa Jerusalém é a restauração da convivência completa e perfeita entre Deus e os homens que havia antes que o pecado causasse o atual estado de divisão que existe entre Deus e a humanidade. João ouve uma proclamação vinda do Céu: “Eis o tabernáculo de Deus com os homens. Deus habitará com eles”(Ap 21:3). Como povo de Deus, desfrutaremos comunhão mais próxima com Ele do que jamais imaginamos. Deus mesmo estará com todos os seus santos num relacionamento mais íntimo e afetuoso. Somente na Nova Jerusalém, esta comunhão será restabelecida por completo, ocorrendo aquilo que é dito pelo apóstolo João, de vermos Deus como Ele é (1João 3:2).
5. Visão perfeita. "Contemplarão a sua face" (Ap 22:4). Somente com uma visão perfeita será isso possível. Aqui neste mundo, servos dificilmente (e talvez nunca) veem a face de seus senhores - os chefes de nações -, mas nós veremos a face do nosso Senhor!
6. Identificação perfeita. "E nas suas frontes está o nome dele" (Ap 22:4). Nome na Bíblia fala de caráter; daquilo que a pessoa de fato é. Haverá então uma perfeita identificação entre Deus e os seus remidos. No Antigo Testamento o sumo sacerdote levava gravadas numa lâmina de ouro puro, sobre a sua coroa sagrada, as palavras: "Santidade ao Senhor" (Êx 39:30), mas na Formosa Jerusalém, onde a santidade é perfeita, o próprio nome de Deus estará sobre a fronte dos seus filhos.
7. Conhecimento Perfeito. Hoje, conhecemos a Deus apenas em parte, mas na Formosa Jerusalém o nosso conhecimento será perfeito dentro do plano humano, em glória(cf 1Co 13:12).
8. Interação perfeita. "E reinarão pelos séculos dos séculos" (Ap 22:5). Na Formosa Jerusalém, todos juntos, harmonicamente, e sempre, reinaremos. Isso jamais será conseguido aqui, mas no Perfeito Estado Eterno, sim!
Irmãos queridos, quantas coisas preciosas tem o Senhor reservadas à Sua amada Igreja. Concordo com o grande mestre, o pr. Antonio Gilberto, quando diz: “Se pudéssemos todos apreciar de fato, pela visão do Espírito, o que é o Céu, a eterna bem-aventurança dos salvos, teríamos tanto desejo de ir para lá, e nos desprenderíamos tanto das coisas daqui, que o Diabo não teria um só torcedor; um só amigo seu na terra. Inúmeros crentes por não terem essa visão estão demasiadamente presos às coisas deste mundo, que jaz no Maligno (1João 5:19)”.

CONCLUSÃO

Aqui concluímos o estudo do Apocalipse, sobre os temas propostos pelo Pr. Claudionor de Andrade, comentarista das lições deste trimestre. “O Apocalipse encerra a história humana da mesma forma que o livro de Gênesis a iniciou: no Paraíso. Mas existe uma diferença inconfundível no livro de Apocalipse: o mal foi eliminado para sempre. Gênesis descreve Adão e Eva caminhando e falando com Deus; Apocalipse descreve as pessoas adorando a Deus face a face. Gênesis descreve um jardim com uma serpente do mal; Apocalipse descreve uma cidade perfeita, sem qualquer influencia maligna. O Jardim do Éden foi destruído pelo pecado, mas o Paraíso foi recriado na Nova Jerusalém Celestial”(Aplicação Pessoal).
Também, o Apocalipse termina com uma promessa e uma bênção.
a) A promessa: Aquele que testifica estas coisas diz: Certamente, cedo venho. Amém! Ora, vem, Senhor Jesus!”(Ap 22:20). Este anseio é também o de todos os cristãos verdadeiros. É também uma confissão de que, enquanto Ele não vier, nossa redenção está incompleta, o mal e o pecado não estão exterminados, e este mundo não está renovado. Nossos esforços para melhorar o mundo são importantes, mas seus resultados não podem ser comparados com a transformação que Jesus trará por ocasião de sua volta. Somente Ele controla a historia da humanidade, perdoa os pecados e recriará a Terra e trará a paz eterna.
Temos a certeza de que a vinda do Senhor se aproxima para levar da Terra os seus fiéis servos para a Casa do Pai (João 14:1-3; 1Ts 4:16-18); depois, Ele voltará em glória e triunfo, para reinar para sempre como “Rei dos reis e Senhor dos senhores”(Ap 19:16). Essa é a nossa imutável esperança e jubilosa expectativa (2Pe 1:19).
b) A bênção: “A graça de nosso Senhor Jesus Cristo seja com todos vós. Amém!”(Ap 22:21). Esta é a bênção final deste livro maravilhoso e da Palavra de Deus. É um encerramento sereno para um livro repleto de trovões e julgamentos divino.
“Conservemos em nossa lembrança as riquezas do lindo país e guardemos conosco a esperança de uma vida melhor, mais feliz. Pois dali, pois dali, uma voz verdadeira não cansa de oferecer-nos do reino da luz o amor protetor de Jesus. Se quisermos gozar da ventura que no belo país haverá, é somente pedir de alma pura, que de graça Jesus nos dará. Pois dali, pois dali, todo cheio de amor, de ternura, deste amor que mostrou-nos na cruz, nos escuta, nos ouve Jesus” (3ª e 4ª estrofes do hino 202 da Harpa Cristã).

Queridos seguidores deste blog – amigos e irmãos em Cristo -, muito grato por acompanhar-me durante este ditoso trimestre. Confesso que foi muito agradável estudar estas lições. Cada vez que participo de estudos sobre este tema aprendo coisas novas e vivifico muito mais a minha fé, esperança e expectativa de um lindo e mavioso porvir. Espero que tenham gostado das aulas! É claro que nunca haverá um consenso, quando o assunto é Escatologia. Todavia, temos um ponto em comum: Jesus em breve virá e nos levará para estar com Ele para sempre, na Formosa Jerusalém Celestial!
Até breve, se Deus quiser!
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Elaboração: Luciano de Paula Lourenço – Prof. EBD – Assembléia de Deus – Ministério Bela Vista. Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com

Referências Bibliográficas:
William Macdonald – Comentário Bíblico popular (Novo Testamento).
Bíblia de Estudo Pentecostal.
Bíblia de estudo – Aplicação Pessoal.
Revista Ensinador Cristão – nº 50.
O Novo Dicionário da Bíblia – J.D.DOUGLAS.
Comentário Bíblico NVI – EDITORA VIDA.
Antonio Gilberto – Calendário do Apocalipse.
Ciro Sanches Zibordi - Teologia Sistemática Pentecostal.
Caramuru Afonso Francisco – A Formosa Jerusalém Celestial.
J.Dwight Pentecost – Manual de Escatologia.

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