’refresh’ content=’0;URL=http://www.google.com/’/> Aula 04 – SUPERANDO OS TRAUMAS DA VIOLÊNCIA SOCIAL | ESCOLA BÍBLICA

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Aula 04 – SUPERANDO OS TRAUMAS DA VIOLÊNCIA SOCIAL


Texto Básico: Genesis 6:5-12

A Terra, porém, estava corrompida diante da face de Deus; e encheu-se a terra de violência(Gn 6:11)


INTRODUÇÃO
A violência é o grande mal da humanidade. É resultante de uma vida impiedosa e destituída da presença de Deus. Suas raízes são profundas e remontam ao berço da humanidade. Nasceu no seio da primeira família e nunca mais parou de se estender impiedosamente a todos os seres racionais, haja vista que “violência gera violência”. Seus traumas são dramáticos e difíceis de serem suportados.
Em nossos desditosos dias, a violência surge como o sol, dificilmente escapamos de sua presença. Ela está abrigada pela impunidade, porque as autoridades perderam a sua força, a sua moral, pelo mau exemplo que a cada dia nos chega ao conhecimento pelos meios de comunicação. O homem bom se torna prisioneiro em sua própria habitação e o perverso anda lisonjeiramente como que a zombar do infortúnio dos honestos e humildes, caracterizando-se assim um claro e preocupante paradoxo humanitário. Todo esse quadro, gera no homem insuportável aflição, desassossego, insônia, apatia, desânimo, ao ponto de muitos perderem a vontade de viver.  Nesse momento, surge uma grande e desesperadora interrogação: a quem recorrer? Quem pode se levantar em auxílio dos desesperados e aflitos? Olhando no plano horizontal, ou seja, buscando auxílio no homem, frustramo-nos e ficamos desolados. Até porque a Palavra de Deus nos afirma: “...vão é o socorro  do homem”(Sl 60:11). Resta-nos a única fonte capaz de não somente nos livrar da desgraça da violência, mas também nos proporcionar alívio quando ela nos acometer. Essa Fonte é Jesus Cristo(Deus Conosco – Mt 1:23)) e o Espírito Santo(o Sumo Consolador da Igreja – João 16:7,13). Superar os traumas da violência é um desafio e um exercício de fé em Deus. Que Ele nos ajude!
I. A VIOLÊNCIA IMPERA SOBRE A TERRA.
A violência é uma das consequências da queda do homem. E é lógico que há um interesse das “potestades” em intensificar cada vez mais a violência, pois ela é contrária aos princípios bíblicos e desnecessária na resolução de qualquer problema.
1. Origem da Violência. A palavra "violência" na Bíblia é “Hamas”, que significa, "injustiça, ser violento com, tratar violentamente". A palavra é usada frequentemente como ideia de violência pecaminosa. É também sinônimo de extrema impiedade. Em Gn 6:11 lemos: "A terra, porém, estava corrompida diante da face de Deus; e encheu-se a terra de violência". Neste texto, a associação feita entre "corrupção" e "violência" é assustadora e demonstra que o estado do mundo determina seus aspectos vivenciais e também atrai a ira de Deus!
A violência é fruto do pecado. Ela tem origem na queda do homem. Após a queda do homem no Éden, Caim, filho de Adão, matou Abel, seu próprio irmão. Lameque fez uma canção onde contou às suas duas mulheres os motivos pelos quais matou dois homens(Gn 4:23).
Por causa do pecado, somos inclinados a resolver as coisas impondo nossa força, não raro, de forma brutal. Para que não façamos tal coisa, Deus permitiu aos homens criar leis que possam inibir a atitude violenta entre os próprios homens, de forma que o preço a ser pago por um ato violento seja reprimido de forma dura pela sociedade.
2. A multiplicação da violência. Nos dias que antecederam o dilúvio, a Terra encheu-se de violência, de forma que ficou insustentável a vida na Terra. O temor a Deus tinha quase desaparecido dos corações dos filhos dos homens. A libertinagem predominava, e quase todo o tipo de pecado era praticado. A maldade humana era aberta e ousada, e o lamento dos oprimidos alcançava os Céus. A justiça estava esmagada até o pó. Os fortes não somente usurpavam os direitos dos fracos, mas forçavam-nos a cometer atos de violência e crimes.
 A Bíblia diz: “E viu o Senhor que a maldade do homem se multiplicara sobre a Terra e que toda imaginação dos pensamentos de seu coração era só má continuamente. A Terra, porém, estava corrompida diante da face de Deus; e encheu-se a Terra de violência. E viu Deus a Terra, e eis que estava corrompida; porque toda carne havia corrompido o seu caminho sobre a Terra. Então, disse Deus a Noé: O fim de toda carne é vindo perante a minha face; porque a Terra está cheia de violência; e eis que os destruirei com a Terra”(Gn 6:5,11-13). No versículo 13, o Deus Criador ordena o fim de todas as coisas. O motivo: a multiplicação da violência. O resultado: "...os destruirei com a terra...". Deus havia decidido acabar com tudo isso (o mal sobre a terra) e dar-lhe a retribuição por seus atos pecaminosos violentos: a morte eterna! Isso fica claro porque somente oito pessoas (Noé e sua família) são salvas da grande catástrofe que veio sobre a humanidade!
O fato de a Terra estar cheia de violência não podia continuar sem controle. Deus tomou a decisão e estava pronto para agir. A punição tinha de ser drástica. O Gênero humano e a todas as demais vidas sobre a Terra seriam destruídos, no decorrer da duração do dilúvio.
Antes do Juízo de Deus sobre os ímpios, Deus proveu a Salvação para os justos. Deus mandou que Noé fizesse uma Arca. Nela somente os justos poderiam adentrar e escapar do Juízo divino. Ninguém acreditou que isso iria acontecer, até que Deus tomou a decisão drástica de destruir os ímpios.
A degeneração humana não mudou; o mal continua irrompendo desenfreado através da depravação e da violência. Hoje em dia, a imoralidade, a incredulidade, a pornografia e a violência dominam a sociedade inteira(ver Mt 24:37-39; ver Rm 1:32). Não resta dúvida que Deus trará forte Juízo sobre todos aqueles que praticam a violência e a promove. A Palavra de Deus adverte: “E, como foi nos dias de Noé, assim será também a vinda do Filho do homem”(Mt 24:37).
3. A violência na sociedade atual. Na sociedade atual, o desamor é uma constante e, em virtude disto, os dias são repletos de violência, pois a vida humana é vilipendiada, já que não há amor a Deus e, conseqüentemente, não há amor ao próximo. O homem é menosprezado e se desenvolve, entre os homens, uma verdadeira “cultura da morte”.
Na sociedade atual, multiplica-se o pecado e, com ele, multiplicam-se os problemas. Sem dar guarida a Deus e ao seu amor, a humanidade acaba correndo de um lado para outro, como ovelhas desgarradas que não têm pastor (Mt 9:36), sem direção, sem qualquer orientação, o que faz com que surjam inúmeros problemas.
Na sociedade atual está acontecendo um alto grau de ferocidade entre as pessoas. O próprio apóstolo Paulo, ao descrever os últimos dias, diz que seriam dias em que os homens seriam amantes de si mesmos, sem amor para com os bons (2Tm 3:2,3). Assim, são pessoas que só pensam em si próprios e cria condições múltiplas para se servirem do próximo, aproveitarem-se dele e o explorarem o máximo possível. Em virtude desta “ferocidade humana”, vivemos dias furiosos, ou seja, dias em que o individualismo, o egoísmo, a vileza com que o homem é tratado faz com que as pessoas se tornem desconfiadas, desacreditadas umas das outras, comportamento que prejudica todo e qualquer relacionamento. A consequência disto é a expansão do ódio, da raiva, da violência. As pessoas agem em relação às outras como se estas fossem, há muito, suas inimigas. Vivemos a época da insegurança e do medo indiscriminados.
Na sociedade atual, o homem não tem a menor preocupação em prejudicar o outro, desde que isto lhe seja conveniente e contribua para que atinja os seus objetivos, objetivos estes que dizem respeito somente a si próprio. A ganância, o prazer, o bem-estar próprio, a satisfação do seu ego, é só isto que é estimulado, incentivado e almejado pelo homem dos últimos dias. Vivemos dias em que, mais do que nunca, como afirmava o filósofo inglês Thomas Hobbes, “o homem é o lobo do homem” e toda a ferocidade humana é revelada ao seu próximo. Por isso, os homens são desobedientes a pais e mães, ingratos, sem afeto natural, irreconciliáveis, caluniadores, cruéis, obstinados e orgulhosos (2Tm 3:2-4). 
Todos já ouviram falar do Bullying. É um termo da língua inglesa (bully = “valentão”) que se refere a todas as formas de atitudes agressivas, verbais ou físicas, intencionais e repetitivas, que ocorrem sem motivação evidente e são exercidas por um ou mais indivíduos, causando dor e angústia, com o objetivo de intimidar ou agredir outra pessoa sem ter a possibilidade ou capacidade de se defender, sendo realizadas dentro de uma relação desigual de forças ou poder. Este procedimento violento é um problema mundial, podendo ocorrer em praticamente qualquer contexto no qual as pessoas interajam, tais como escola, faculdade/universidade, família, mas pode ocorrer também no local de trabalho e entre vizinhos. Esse tipo de agressão geralmente ocorre em áreas onde a presença ou supervisão de pessoas adultas é mínima ou inexistente. Estão inclusos no bullying os apelidos pejorativos criados para humilhar os colegas. As pessoas que testemunham o bullying, na grande maioria, alunos, convivem com a violência e se silenciam em razão de temerem se tornar as “próximas vítimas” do agressor. No espaço escolar, quando não ocorre uma efetiva intervenção contra o bullying, o ambiente fica contaminado e os alunos, sem exceção, são afetados negativamente, experimentando sentimentos de medo e ansiedade.
Outro ambiente no qual tem se intensificado a violência é o Campo Agrário. Grupos desejosos de reformas agrárias usam a violência para impor suas perspectivas políticas, entrando em fazendas, destruindo plantações e matando animais.
Também, nas cidades, traficantes buscam espaço em comunidades menos assistidas, impondo seus desígnios com sangue de inimigos e trabalhadores.
Em fim, na sociedade atual, a violência contempla todos níveis sociais e culturais, desafiando quem quer que seja, sem vislumbre de uma solução tangível. Somente o Evangelho de Cristo é o remédio eficaz para debelar a violência sobre a Terra. Como embaixadora do Evangelho da Paz, a Igreja deve postar-se como a voz profética de Deus contra todos os tipos de violência. Até que o Senhor Jesus retorne, faz parte da missão da Igreja fazer deste um mundo menos violento, pregando o Evangelho, praticando a justiça e amparando os menos favorecidos.

II. VIOLÊNCIA UM PROBLEMA DE TODOS

1. Quando o crente é perseguido. A instituição chamada Igreja Cristã tem dois capítulos distintos em sua história: (1) de crescimento glorioso, de avanço destemido e de penetração ousada; (2) de sofrimento, de martírio, de sangue derramado. Mas, a violência física contra os cristãos ao longo de sua história não arrefeceu o seu avanço na busca do engrandecimento do Reino de Cristo. Satanás, então, muda de tática: ele aciona os seus ardis e tenciona ferir o cristão na sua alma, caráter e emoção. As perseguições mais danosas são a psicológica e o assédio moral. Fieis servos de Deus tem sido afrontados com assédio moral no trabalho, na faculdade, no colégio, por causa de seu caráter diferenciado, da sua postura moral e espiritual.
É válido lembrar que o reino dos céus é prometido aos crentes que sofrem por fazer o que é correto. Sua integridade condena o mundo que desagrada a Deus, e, em consequencia disso, vem a hostilidade. Os ímpios odeiam uma vida justa, pois ela expõe a injustiça deles(Mt 5:10). O Senhor Jesus sabia que seus seguidores seriam injuriados por se associarem e serem leais a Ele. A história confirma isso. Desde o início, o mundo tem perseguido, prendido e matado os seguidores de Jesus.
É bom saber que os maiores profetas de Deus foram perseguidos(por exemplo:Elias, Jeremias e Daniel), e isto nos conforta. O fato de estarmos sendo perseguidos prova que temos sido fiéis. No futuro, Deus recompensará os que usaram de fidelidade, ao recebê-los em seu Reino eterno, onde não haverá mais perseguição(ler Mt 5:11,12).
2. A ação do bom samaritano(Lc 10:30-37). Certa feita, Jesus contou uma parábola em que um samaritano socorreu um homem que foi vítima de roubo e violência física. A vítima do roubo(quase com certeza um judeu) ficou semimorto no caminho para Jericó. O sacerdote judaico e o levita se recusaram a ajudá-lo. Foi um samaritano desprezado que o acudiu, que aplicou os primeiros socorros, que levou a vítima para uma hospedaria e tomou providencias para o seu cuidado. Para o samaritano, um judeu necessitado foi o seu próximo.
Amar o próximo é sentir compaixão por ele, ou seja, sentir a sua dor, como se fosse nossa e, assim, suprir as necessidades imediatas do nosso semelhante, lembrando que ele é tão imagem e semelhança de Deus quanto nós. O individualismo e o egoísmo têm dificultado, e até impedido, gestos de amor ao próximo, até mesmo entre cristãos. É bom lembrar que nosso próximo équalquer ser humano, como bem nos explicitou Jesus nesta parábola, e este amor supera todo e qualquer preconceito, toda e qualquer barreira, toda e qualquer tradição. Amparar e cuidar das pessoas vítimas da violência, seja qual for a modalidade, é um dever da Igreja e um ato de amor cristão.
3. A Igreja deve denunciar a violência através de ações. Os cristãos são o sal da terra. Dois dos valores do sal são: o sabor e o poder de preservar da corrupção. A violência é a supuração da corrupção. O cristão, portanto, deve ser exemplo para o mundo e, ao mesmo tempo, militar contra a violência e a corrupção na sociedade. O exercício do amor através de gestos práticos, bem como a pregação do Evangelho são pilares inexoráveis de sustentação da paz e da harmonia em uma sociedade. Oxalá se todos os princípios do Evangelho fossem respeitados e absorvidos, jamais haveria violência; teríamos um ambiente perfeito para se viver. Isso vai acontecer um dia, a saber, no Reino Milenar de Cristo.
O serviço cristão envolve atos pelos quais demonstremos nosso amor ao próximo. Por isso, não pode o salvo se isentar de toda e qualquer ação que venha a promover o bem-estar da coletividade, que venha mitigar o sofrimento daquele que está ao nosso redor, vítima de algum tipo de violência, oferecendo-lhe conforto espiritual, moral e emocional. Na parábola do bom samaritano (Lc 10:25-27), Jesus mostrou que próximo é qualquer um que esteja em nosso caminho; e, em algumas oportunidades, o apóstolo Paulo ensinou que fazer o bem a outrem é uma qualidade que não pode faltar àqueles que dizem servir a Deus (ler Rm 12:13-21).

CONCLUSÃO

Qualquer um de nós pode ser vítima da violência. Mesmo servindo um Deus soberano e bondoso, podemos perder nosso ente querido vítima das maiores barbáries praticadas por aqueles que não têm o amor de Cristo no coração. Os traumas são fortes e cruentos, quando isso acontece. Superá-los é um tremendo desafio e, imprescindivelmente, a vítima precisa de apoio dos que lhe são queridos e da igreja. A oração e a leitura da Palavra de Deus jamais devem ser prescindidos nestes momentos cruentos. Saiba que somente Deus pode nos ajudar a superar os traumas e nos dar equilíbrio em nossa jornada. Uma coisa é certa: a herança do violento é ser perseguido pelo mal. Está escrito: “...o mal perseguirá o homem violento até que seja desterrado" (Sl 140:11).
Oremos, pois, como Davi: “Livra-me, ó Senhor, do homem mau; guarda-me do homem violento”(Sl 140:1). Clamemos, também, a Deus para que o nosso país, nossa cidade, nosso bairro, nosso lar, tenha paz e harmonia, e que os governantes cumpram o seu dever com ações preventivas contra a violência - “Admoesto-te, pois, antes de tudo, que se façam deprecações, orações, intercessões e ações de graças por todos os homens, pelos reis e por todos os que estão em eminência, para que tenhamos uma vida quieta e sossegada, em toda a piedade e honestidade”(1Tm 2:1,2).


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Elaboração: Luciano de Paula Lourenço – Prof. EBD – Assembléia de Deus – Ministério Bela Vista. Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com


Referências Bibliográficas:
William Macdonald – Comentário Bíblico popular (Novo Testamento).
Bíblia de Estudo Pentecostal.
Bíblia de estudo – Aplicação Pessoal.
O Novo Dicionário da Bíblia – J.D.DOUGLAS.
Comentário Bíblico NVI – EDITORA VIDA.

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