segunda-feira, 16 de julho de 2012

TEXTO 08. RESPONDENDO À CULTURA: IMITAÇÃO, ISOLAMENTO OU INFILTRAÇÃO?



Outro debate constante que afeta o evangelismo é como a igreja deve responder à cultura. Existem duas posições extremadas: imitação e isolamento.

Aqueles que estão no campo da "imitação" defendem que a igreja deve tornar-se como a nossa sociedade para poder ministrar a ela. As igrejas desse grupo sacrificam a mensagem bíblica e a missão da igreja para serem assimiladas pela cultura. Elas estão dispostas a apoiar os valores culturais da atualidade, como a adoração ao sucesso e saúde, individualismo exacerbado, feminismo radical, padrões liberais de sexualidade e até mesmo o
homossexualismo.
Em sua tentativa de serem relevantes, sacrificam a teologia bíblica, distintivos doutrinários e o evangelho de Cristo. A chamada para o arrependimento e o compromisso é diluída para atrair o povo. O sincretismo destrói esse tipo de igreja.

O outro extremo é o campo do "isolamento". Este grupo insiste que devemos evitar qualquer adaptação à cultura, a fim de preservar a pureza da igreja. Ele não consegue ver a distinção entre os valores pecaminosos de nossa cultura e costumes não-pecaminosos, estilos e preferências que cada geração desenvolve. Rejeita novas traduções da Bíblia, estilos de música atuais e qualquer tentativa de mudar as tradições feitas pelo homem, tais como os horários e ordem dos cultos de adoração com que estão acostumados. Os defensores do isolamento algumas vezes têm códigos de vestimenta e listas do que é permitido e do que não é, a respeito de assuntos aos quais a Bíblia não se refere (é natural à raça humana erguer muros teológicos para defender as suas preferências pessoais).
As igrejas desse grupo confundem suas tradições culturais com ortodoxia. Elas não reconhecem que os costumes, estilos e métodos nos quais seus líderes se sentem à vontade, um dia foram tachados como "modernos, mundanos e heréticos" pela geração anterior de crentes.

E preciso escolher entre liberalismo e legalismo? Existe uma terceira alternativa para imitação e isolamento? Estou convencido que sim.

A estratégia de Jesus porém, é o antídoto para ambos os extremos: infiltração.
Assim como o peixe de água salgada existe por toda a vida dentro do oceano sem se tornar saturado com o sal, Jesus ministrou dentro do mundo sem se tornar do mundo. Ele " ...habitou entre nós" (Jo 1:14), e foi tentado da mesma forma que somos, " ... mas sem pecado" (Hebreus 4:15). Andou entre o povo, falou sua língua, observou seus costumes, cantou suas canções, participou de suas festas e usou seus eventos (veja Lc 13:1-5) para chamar a atenção para o que ele ensinava. Porém, fez tudo isto sem comprometer sua missão.

O ministério de Jesus era sensível ao pecador e fez com que a religião estabelecida ficasse indignada. Os líderes o criticavam ferozmente. Eles até atribuíram o seu ministério a Satanás! (Mc 3:22). Os fariseus, em especial,
odiavam a forma que Jesus usava para que os não-crentes se sentissem à vontade em sua presença e a maneira como colocava as necessidades dos pecadores acima das tradições religiosas. Eles maldiziam Jesus, chamando-o de "amigo dos coletores de impostos e pecadores". Tal título era a maior das ofensas, mas Jesus usava-o como uma medalha de honra. Sua resposta era: "Os sãos não necessitam de médico, mas, sim, os doentes. Eu não vim chamar
os justos, mas, sim, os pecadores" (Mc 2:17).

Nos dias de Jesus, os fariseus usavam a desculpa da "pureza" para evitar todo contato com os não-judeus.
Hoje, ainda temos fariseus na igreja mais preocupados com a pureza do que com as pessoas.
Se sua igreja leva a sério a Grande Comissão, você nunca vai ter uma igreja completamente pura porque você vai estar sempre atraindo não-crentes — com os seus estilos de vida questionáveis — para os cultos. Para evangelizar, às vezes é necessário sujar as mãos. Até mesmo depois das pessoas se converterem ainda será necessário lidar com a imaturidade delas. Sendo assim, você nunca terá uma igreja completamente pura.

Existem pagãos não-arrependidos misturados na multidão de dez mil pessoas da minha igreja? Sem dúvida alguma! Quando você pesca com uma rede grande, pega todos os tipos de peixe. Mas está tudo bem. Jesus disse em uma parábola para não arrancar o joio. "Não, para que ao colher o joio não arranqueis também o trigo com ele.
Deixai crescer ambos juntos até à ceifa. Por ocasião da ceifa, direi aos ceifeiros: Colhei primeiro o joio, atai-o em molhos para o queimar, então colhei o trigo e recolhei-o no meu celeiro"(Mt 13:29-30). Devemos deixar a
separação para Jesus, porque só ele sabe quem é o verdadeiro joio.
Jesus reservou suas palavras mais severas para os rígidos tradicionalistas religiosos. Quando os fariseus perguntaram: "Por que quebram os teus discípulos a tradição dos anciãos?", Jesus respondeu: "Por que quebrais vós também o mandamento de Deus, por causa da vossa tradição?" (Mt 15:2-3). Cumprir o propósito de Deus sempre deve ter prioridade sobre a preservação das tradições.
Se você leva a sério o ato de ministrar para as pessoas da forma como Jesus o fez, não se surpreenda se algum dia alguém o acusar de vender o evangelho para a cultura ou de quebrar tradições. Você será criticado! Alguns defensores do isolamento têm sido extremamente críticos em seus livros e artigos sobre as igrejas que são sensíveis às necessidades dos pecadores. A maioria dessas críticas são caracterizações injustas, feitas pela ignorância e não representam o que na verdade ocorre dentro de igrejas sensíveis aos pecadores.

Desbravadores de trilhas sempre têm flechas apontadas para eles. A tradução da verdade em termos contemporâneos é um negócio perigoso. Lembre-se de que queimaram Wycliffe por isso. Mas as críticas de outros crentes não devem nos afastar do modelo que Jesus ministrou. Ele deve ser a nossa maior referência de ministério e mais ninguém.

Fonte: Pr. Rick Warren – Livro: Uma Igreja com Propósitos

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