terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Aula 10 – SOFONIAS – O JUIZO VINDOURO


Texto Básico: Sofonias 1:1-10


 “Cala-te diante do Senhor JEOVÁ, porque o dia do SENHOR esta perto, porque o SENHOR preparou o sacrifício e santificou os seus convidados” (Sf 1:7). 

INTRODUÇÃO

Nesta lição, estudaremos o oráculo de Sofonias. Ele profetiza para advertir ao povo que o juízo de Deus estava para vir. Sofonias apresenta os pecados que o povo praticava: eles adoravam a Baal, uma divindade cananita; adoravam os elementos da natureza, o sol e a lua, e também as estrelas, desprezando o Criador. Eles misturavam a adoração a Deus com a adoração a outras "divindades". Aos poucos, foram abandonando o culto ao Senhor e, finalmente, manifestaram um claro descaso para com a obediência aos preceitos divinos. Este aspecto degradante do caráter do povo insultou a santidade de Deus e provocou a Sua ira. Sofonias fala do “Dia do Senhor”, e esta descrição não é da manifestação do Messias, e sim da ira de Deus. O juízo de Deus seria destinado não somente a Judá; também, sua abrangência será universal, como reação de Deus aos pecados cometidos pelos moradores de toda a Terra.


De forma intrigante, Sofonias começa sua profecia com um lamento, mas termina com um cântico de alegria (Sf 1:2; 3:14-20); ele aborda o julgamento divino numa perspectiva escatológica de restauração.


I. O LIVRO DE SOFONIAS



1. Contexto histórico. Sofonias profetizou durante o reinado de Josias, rei de Judá (640-609 a.C). Aproximadamente 100 anos antes da profecia de Sofonias, o Reino do Norte (Israel) havia sido derrotado pela Assíria. O povo havia sido levado cativo, e a terra havia sido recolonizada por estrangeiros. Sob o reinado de Manassés e do rei Amom, pai do rei Josias, tributos haviam sido pagos para se evitar que a Assíria invadisse o Reino do Sul. A aliança com a Assíria não somente afetou a Judá politicamente, mas também as práticas religiosas, sociais e de comportamento da Assíria impuseram sua tendências em Judá. Proteção oficial foi dada em Judá para as artes mágicas e adivinhadores e encantadores. A religião astral se tornou tão popular, que o rei Manassés construiu altares para adoração do sol, lua, estrelas, signos do zodíaco e todos os astros do céu, à entrada da Casa do Senhor (2Rs 23:11). A adoração da deusa-mãe da Assíria se tornou uma prática que envolvia todos os membros das famílias de Judá (Jr 7:18). Em fim, a nação achava-se envolvida com a violência e a idolatria em alta escala. Havia indiferença e zombaria para com o Senhor Deus.


Os pecados dos quais Sofonias acusava Jerusalém e Judá (Sf 1:4-13; 3:1-7) indicam que ele profetizou antes do reavivamento e reformas promovidas por Josias. Período este marcado pela iniquidade dos reis que antecederam a Josias (Manasses e Amom). Foi somente no décimo segundo ano do reinado de Josias (isto é, 627 a.C) que o rei empreendeu a purificação do povo com o banimento da idolatria e a restauração do verdadeiro culto ao Senhor. Oito anos mais tarde, ordenaria o conserto e a purificação do templo. Nessa ocasião, foi descoberta uma cópia da Lei do Senhor (cf. 2Rs 22:1-10).


A descrição que Sofonias faz das lamentáveis condições espirituais e morais de Judá deve ter sido escrita por volta de 630 a.C. É provável que a pregação de Sofonias tenha tido influência direta sobre o rei Josias, inspirando-o em suas reformas. O ano de 630 a.C é também indicado devido a ausência de referencias, no livro de Sofonias, à Babilônia, sendo esta uma potência reconhecida no cenário internacional. Babilônia só começou a galgar uma posição de destaque com a ascendência de Nabopolassar em 625 a.C. Mesmo assim, Sofonias profetizou a destruição da grande Assíria, evento este ocorrido em 612 a.C., com a queda de Nínive. Jeremias era um contemporâneo mais jovem de Sofonias.


2. Genealogia. O nome “Sofonias” significa “o Senhor escondeu”. Há quem suponha que ele nasceu durante o “período de matança de Manassés”. Sofonias se identifica melhor do que qualquer outro dos profetas menores, remontando sua linhagem quatro gerações até Ezequias. Ele descreve assim a sua genealogia: Sofonias, filho de Cusi, filho de Gedalias, filho de Amarias, filho de Ezequias (Sf 1:1). Logo, ele era trineto do bom rei Ezequias, o qual levou o povo de volta a Deus durante o tempo do profeta Isaías. Entre os profetas, esta genealogia é a mais detalhada, cujo propósito mais provável era mostrar que ele era de linhagem real. É bom observar que a citação do nome do pai do profeta estabelecia o direito tanto à herança quanto à posição social ou aquisição de poder. A ausência de paternidade demonstrava que tal profeta não adveio de família tradicional.


Sua referencia a Jerusalém como “este lugar” (Sf 1:4), bem como a descrição minuciosa de sua topografia e de seus pecados, indicam que ele residia na cidade. Como fazia parte da linhagem real, haja vista que fora trineto do rei Ezequias, e era parente do rei Josias, então, isso lhe garantia livre acesso no governo real, bem como noutros segmentos da sociedade. De acordo com o arranjo das Escrituras hebraicas, Sofonias foi o último profeta a escrever antes do cativeiro.


3. Estrutura e mensagem.


a) Estrutura. Na sua maior parte, o livro de Sofonias é uma advertência sóbria a respeito do Dia do castigo divino contra o pecado. Embora percebesse um castigo vindouro em escala mundial (Sf 1:2;3:8), Sofonias focaliza especialmente o julgamento que viria contra Judá (Sf 1:4-18; 3:1-7). Ele faz um apelo à nação para que se arrependa e busque o Senhor em humildade antes que o decreto divino entre em vigor (Sf 2:1-3). O arrependimento nacional ocorreu parcialmente durante o reavivamento de Josias (627 – 609 a.C).


Sofonias também profetizou o juízo vindouro contra cinco nações estrangeiras: Filistia, Amom, Moabe, Etiópia e Assíria (Sf 2:4-15). Depois de dirigir sua atenção aos pecados de Jerusalém (Sf 3:1-7), o profeta prediz um tempo em que Deus reuniria, redimiria e restauraria o seu povo. Os fiéis gritariam de alegria como verdadeiros adoradores do Senhor Deus, que estaria no meio deles como um guerreiro vitorioso (cf. Sf 3:9-20).


b) Mensagem. Sofonias advertiu o povo de Judá e disse-lhe que caso se recusasse a se arrepender, a nação inteira, inclusive a amada cidade de Jerusalém, seria destruída. O povo sabia que no final Deus o abençoaria, mas Sofonias deixou claro que primeiramente haveria juízo e, mediante o arrependimento, depois viria a bênção. Este julgamento não seria meramente o castigo pelo pecado, mas também um meio de purificar o povo.


Embora vivamos em um mundo decaído e cercado pelo mal, podemos aguardar com esperança a vinda do Reino de Deus. E devemos permitir que qualquer castigo que nos sobrevenha no presente sirva para nos purificar de nossas transgressões.


II.  O JUIZO VINDOURO



1. Toda a face da terra será consumida. Inteiramente consumirei tudo sobre a face da terra, diz o SENHOR. Arrebatarei os homens e os animais, consumirei as aves do céu, e os peixes do mar, e os tropeços  com os ímpios; e exterminarei os homens de cima da terra, disse o SENHOR”(Sf 1:2,3). Esta ampla declaração nos lembra que Deus é juiz de toda a humanidade.


Sofonias começa anunciando o juízo divino que virá sobre o mundo inteiro (Sf 1:2,3), pois a raça humana, de maneira genérica, recusar-se-á a buscar o Senhor. Deus mesmo determinou um Dia em que destruirá todos os ímpios, bem como o próprio mundo. Será um tempo de aflição, angústia, perturbação e ruína (Sf 1:15).


Não obstante a declaração de que todos serão alcançados, o profeta, de imediato, chama nossa atenção para Judá (Sf 1:4-2:3). Por quê? Porque Deus é o juiz específico de seu próprio povo. Nós, que somos chamados por seu nome, somos, por isso mesmo, mais responsáveis em desenvolver padrões de comportamento mais elevados do que os outros. Conforme nos lembra 1Pedro 4:17, o juízo começa “pela casa de Deus[...]; ora, se primeiro vem por nós, qual será o fim daqueles que não obedecem ao evangelho de Deus?”.


2. A linguagem de Sofonias. A linguagem empregada por Sofonias sobre o juízo divino sobre todos os povos é literal. Muitos querem interpretar o texto como sendo um exagero, ou seja, uma hipérbole. Mas, quem não aceita que isto é literal não aceita, também, que o dilúvio ocorreu de verdade, é apenas uma história de ficção; não aceita que Israel (as 10 tribos do reino do Norte) foi subvertida pela Assíria, por ordem divina, por causa da idolatria, da degradação moral e injustiça social que imperavam em Israel; não acredita que Judá(o reino do Sul) foi subvertido pela Babilônia, sob o comando de Nabucodonosor, como juízo divino, pelas razões que levaram Israel à destruição.


Não haja dúvida, o juízo de Deus sobre os ímpios será tão literal como o foi sobre a Assíria e a Babilônia; nações estas, banidas de sobre a face da terra por causa de sua oposição ao Deus Supremo e Senhor.


Muitos, aliás, indagam a respeito de como Deus estabelecerá juízo sobre as pessoas que jamais tiveram conhecimento da existência de Cristo Jesus ou de sua obra no Calvário, mas o apóstolo Paulo nos deixa bem claro que todo ser humano, por si só, tem condições de saber que existe um Deus e que Ele é soberano e, portanto, deve ser adorado e reconhecido como tal. Deus se manifestou a todos os homens, independentemente do conhecimento que tenhamos a respeito da justificação que somente se opera por intermédio de Jesus Cristo. Por isso, vemos que nenhum homem poderá se apresentar diante de Deus com a desculpa de que nunca teve a oportunidade de ter ciência de que havia um Deus soberano. Paulo é peremptório: “o poder de Deus e a sua divindade entendem-se e claramente  se veem pelas coisas que estão criadas, para que os homens fiquem inescusáveis” (Rm 1:20 ). Como Deus se manifesta, como Deus se revela aos homens? Através da criação. As coisas criadas, a criação de todas as coisas testifica o poder e a divindade do Senhor e, por meio delas, todos os homens são capazes de saber não só que Deus existe, como também que Ele é poderoso e soberano. 


3. Descrição detalhada. Sofonias aborda este assunto sob três perspectivas: (a) Sua causa, pois Judá fora infiel ao Senhor (Sf 1:4-9); b) Sua universalidade, pois todas as classes sociais serão castigadas (Sf 1:10-13); c) seu terror, pois será marcado pelos horrores da destruição universal e literal da criação (Sf 1:3; cf Ap 16:1-21), por demais impressionantes que sejam para serem compreendidos (Sf 1:14-18); nessa ocasião, ocorrerá o reverso da criação registrada em Gênesis (Gn 1:20-26).


III. OBJETIVO DO LIVRO



O objetivo do Livro de Sofonias é advertir Judá e Jerusalém quanto ao juízo divino iminente e ameaçador. A aplicação imediata da palavra profética era que a apóstata nação de Judá receberia a justa retribuição por sua iniquidade, o mesmo acontecendo com as nações pagãs em derredor, alistadas nominalmente pelo profeta (Sf 2:4-15). O propósito de Deus era exterminar o baalismo, o sincretismo, as práticas divinatórias e as injustiças sociais que ocorriam em Judá. O alcance imediato da profecia aplica-se à igreja e ao mundo na conclusão da história.


1. Sincretismo dos sacerdotes. A mistura entre o santo e o profano nunca foi permitido por Deus. O povo de Deus deveria viver separado do mundo e qualquer mistura lhe será prejudicial, senão fatal. Balaão levou os filhos de Israel a prevaricarem contra o Senhor, caindo nas ciladas do sincretismo religioso e da prostituição (ver Num 25:1-8; 31: 9,15,16; 2Pe 2:9-15; Ap 2:14). Ele foi morto por causa disso (Num 31:8).


À época de Sofonias, os sacerdotes estavam envolvidos com o sincretismo religioso pagão. Veja o texto de Sofonias 1:4: “E estenderei a minha mão contra Judá e contra todos os habitantes de Jerusalém e exterminarei deste lugar o resto de Baal e o nome dos quemarins com os sacerdotes”.


Os “quemarins”[ou ministrantes, ARA] é a palavra aramaica que significa “sacerdotes”, usada no Antigo Testamento para aludir somente aos sacerdotes idólatras. Talvez se refira aos ministradores de cultos estrangeiros que foram introduzidos em Israel. Estes, junto com os sacerdotes regulares de Jeová (os levitas) que se corromperam, estavam envolvido com o sincretismo religioso; logo, seriam liquidados, conforme explicita Sofonias 1:4. O texto de 3:4 dá mais pormenores acerca de tais sacerdotes corruptos. Houve quem sugerisse que incentivavam a idolatria pela indiferença ou inconsistência de conduta, ou ambos.


2. Sincretismo do povo. O sincretismo do povo é notório em Sofonias 1:5: “e os que sobre os telhados se curvam ao exército do céu; e os que se inclinam jurando ao SENHOR e juram por Malcã”.


A frase “os que sobre os telhados se curvam ao exército do céu” refere-se ao culto às deidades astrais assírias que entraram em Judá durante o péssimo reinado de Manasses (cf 2Rs 21:3). As passagens de Deuteronômio 4:19 e 17:3 proíbem vigorosamente tal prática. Nesta falsa adoração, as pessoas ofereciam incenso e libações nos telhados planos, os quais, em uma casa oriental, são lugares habituais de atividade e naturais para adorar os corpos celestes.


O “exército do céu abrange todos os corpos celestes – o sol, a lua e as estrelas. Alguns eram objetos especiais de adoração. Na visão que Ezequiel teve na Babilônia, ele viu este tipo de adoração ser praticado no Templo pelos sacerdotes (Ez 8:15-18).


- “Os que se inclinam jurando ao Senhor” prestam lealdade ao Jeová, mas também “juram por Malcã”, o deus nacional dos amonitas. Trata-se de lealdade dividida, a qual todos os profetas de Jeová censuram. Isso esclarece a realidade do ritual sincrético no meio do povo de Judá. Embora com a boca prestassem cultos a Jeová, eles honravam Moloque como deus. Jurar por uma deidade significa confessá-la publicamente, ou seja, comprometer-se abertamente a seu serviço. Jesus condenou em termos bem claros esta lealdade e serviço dividido: “Não podeis servir a Deus e a Mamom”(Mt 6:24).


- “Malcã”. A pronúncia correta é “Milcom” de acordo com a Septuaginta e outras traduções (cf. ARA). Certos estudiosos acham que se refere a Moloque (cf. NVI), o deus fenício cuja adoração desumana (2Rs 23:10; Jr 7:31) prevalecia nos dias de Sofonias.


3. O modismo do povo e a violência dos príncipes - “...hei de castigar os príncipes, e os filhos do rei, e todos os que se vestem de vestidura estranha. Castigarei também, naquele dia, todos aqueles que saltam sobre o umbral [sobem o pedestal dos ídolos, ARA], que enchem de violência e engano a casa dos seus senhores”(Sf 1:8,9).


- “vestidura estranha”- é mais bem traduzida por “roupas estrangeiras” (cf ARA). Isto provavelmente se trata do reinado de Manasses, quando costumes assírios, inclusive a roupa, tomaram conta da nação. Para os verdadeiros hebreus, a adoção da moda assíria simbolizava a aceitação da cultura e religião estrangeiras. Por conseguinte, era corretamente condenado como traição da fidelidade a Jeová.


Seguir os costumes pagãos envolvia não apenas imitar o modismo estrangeiro mas também adorar os deuses estranhos. Não somente o povo mas também os filhos do rei e outros oficiais reais seriam castigados por causa da adoção de costumes e trajes estrangeiros. Estes príncipes, que deveriam ser bons exemplos para o povo, adotavam as práticas estrangeiras e mostravam, deste modo, seu desprezo pelo Senhor, por ignorarem seus mandamentos contrários à adoção da cultura pagã. Isso denota falta de compromisso para com a aliança. Isso é um sinal de deslealdade religiosa.


- “violência e engano” -  Os príncipes de Judá, provavelmente os filhos de Manassés ou Amom, seriam duramente castigados por causa da violência e do engano.


- “todos aqueles que saltam sobre o umbral – Muitos estudiosos interpretam como sendo uma ação violenta. Se for ligada ao restante do versículo, a frase dá a entender invasão forçosa da privacidade das casas para roubar e saquear. Na tradução Almeida Revista e Atualizada  - “sobem o pedestal dos ídolos” – os estudiosos interpretam, “pedestal”, como sendo o pedestal de um santuário pagão. Neste caso, é provável que uma prática religiosa dos filisteus estivessem sendo imitada (cf 1Sm 5:5).


IV. “O DIA DO SENHOR”



“Cala-te diante do Senhor JEOVÁ, porque o dia do SENHOR esta perto...” (Sf 1:7).  O ponto central da mensagem de Sofonias é o “Dia do Senhor”, em que um inimigo estrangeiro, a espada do castigo do Senhor (Sf 2:12; Is 10:5), infligiria grande destruição sobre Jerusalém (Sf 1:4,10,11; 2:1). Esse inimigo foi diversas vezes identificado como sendo os babilônios. Sofonias trata extensamente desse assunto. O “Dia do Senhor” está próximo (Sf 1:7) e será um Dia em que a ira e a indignação do Senhor soberano de Israel serão dirigidas aos perversos (Sf 1:15,18; 2:2,3). Será um Dia de escuridão e negrume (Sf 1:15). Tão resoluto está o Senhor em arrancar o mal pela raiz, que realizará uma busca completa para certificar-se de que os ímpios serão encontrados e destruídos (Sf 1:12). Nesse Dia, o orgulho será vencido (Sf 3:11), e os humildes da Terra (o restante) serão salvos (Sf 3:12,17). Os gentios também abraçarão a fé no Deus vivo e verdadeiro e invocarão o “nome do Senhor”(Sf 3:9; Jl 2:32). As nações serão reconciliadas com Deus, e hão de invocá-lo e servi-lo. Estas promessas serão cumpridas durante o Milênio, quando Cristo estiver reinando sobre o mundo inteiro (Ap 20:4).


1. Significado bíblico. “O Dia do Senhor” é termo técnico para denotar o julgamento que se aproxima, que é o principal tema de Sofonias. Sua mensagem central pode ser resumida na frase: “O Dia do Senhor está perto”. Este é o Dia em que Deus se manifestará como Juiz. Não é mero dia de calamidade, mas trata-se de uma ocasião especial, a manifestação plena e final de Deus.


Esta profecia aplica-se, em primeiro lugar, à destruição de Judá pelos babilônios em 605 a.C. E, em segundo lugar, ao juízo divino a ser aplicado em escala mundial contra todas as nações no fim dos tempos (cf Is 2:12; 13:6,9; Jr 46:10; Ez 13:5; 2:1). O último dia da ira ainda está por vir (Rm 2:5), e acha-se associado à segunda vinda de Cristo (Mt 24:29-33; 1Ts 5:2).


2. O sacrifício e seus convidados. “Cala-te diante do Senhor JEOVÁ, porque o dia do SENHOR esta perto, porque o SENHOR preparou o sacrifício e santificou os seus convidados” (Sf 1:7). Um dia de juízo e grande matança aconteceu quando a Babilônia invadiu o reino de Judá. O profeta considerou estas profecias como eventos futuros, mas não pôde ver quando ou em que ordem aconteceram. Muitos pensam que estas profecias tem um duplo cumprimento – um para o futuro próximo (logo após a transmissão da profecia) e outro para o futuro distante (possivelmente durante os tempos do fim). Alguns estudiosos acreditam que estas profecias de juízo se refiram exclusivamente a eventos futuros.


Não está absolutamente claro quem são os convidados, mas pelo visto é o bando ameaçador do Norte, provavelmente o exército babilônico. O paralelo do Novo Testamento é Apocalipse 19:17-21, onde os urubus são convidados a participar da “ceia do grande Deus” para comer “a carne dos reis, e a carne dos tribunos, e a carne dos fortes”.


CONCLUSÃO



Não duvide do juízo vindouro de Deus. O seu juízo é certo e verdadeiro e virá sobre todos os que praticam a iniquidade. No término do período da Graça de Deus, Ele cobrará do homem a rejeição à maior e mais ampla oportunidade de salvação que já houve para a humanidade, ante a revelação completa da Divindade na pessoa de Jesus Cristo e a ampla atuação do Espírito Santo entre os homens. Será o “dia da vingança do nosso Deus” (Is 61:2). Deus é justo (Sl 145:17) e, portanto, em retribuição à rejeição da mais ampla oportunidade de salvação que já houve, mandará o maior juízo que já se abateu sobre a Terra. A Grande Tribulação será um juízo que, ao contrário dos outros, terá a maior duração (sete anos) e os piores sofrimentos e males já vividos pela humanidade, vez que Deus permitirá que o diabo tenha ampla liberdade de atuação sobre a Terra. Será a ira de Deus manifesta aos homens.


Entretanto, quando falamos em justiça divina, não podemos nos esquecer que a justiça é, como diziam os juristas romanos, “dar a cada um o que é seu”. Ora, dar a cada um o que é seu não é apenas punir ou aplicar penalidade sobre o errado, mas também reparar o que está certo, restaurar aquele que foi vitimado, que foi lesado, que sofreu pelo erro de alguém. Deus exercerá a Sua justiça não somente para punir o errado, como também para restaurar aquilo que foi prejudicado pelo que errou. Neste passo, a Grande Tribulação não só é o início da punição divina, como também é o começo da restauração. Deus, na Grande Tribulação, criará as condições para que haja a restauração do que foi prejudicado pelo pecado e pelo maligno, a saber: Israel, a comunidade das nações e a natureza. Que assim seja!


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Elaboração: Luciano de Paula Lourenço – Prof. EBD – Assembléia de Deus – Ministério Bela Vista. Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com


Referências Bibliográficas:
William Macdonald – Comentário Bíblico popular (Antigo Testamento).
Bíblia de Estudo Pentecostal.
Bíblia de estudo – Aplicação Pessoal.
O Novo Dicionário da Bíblia – J.D.DOUGLAS.
Comentário Bíblico NVI – EDITORA VIDA.
Revista Ensinador Cristão – nº 52 – CPAD.
A Teologia do Antigo Testamento – Roy B.Zuck.
Comentário Bíblico Beacon, v.5 – CPAD.

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