quarta-feira, 24 de abril de 2013

O Calvário Maranata


Publicado por: Alex Belmonte em 23 abril, 2013

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A Igreja Cristã Maranata é resultado de um avivamento ocorrido
no Brasil na década de 1960, quando fiéis de diversas igrejas protestantes tradicionais começaram a crer na doutrina pentecostal. Membros oriundos da Igreja Presbiteriana de Vila Velha, entre 1967 e 1968 deram início às primeiras reuniões da igreja, então chamada de “Igreja Cristã Presbiteriana” no bairro Divino Espírito Santo, em Vila Velha-ES. Mais tarde teve o nome mudado para Igreja Cristã Maranata.
Por Alex S. A. Belmonte
Organizada oficialmente em janeiro de 1968 na cidade de Vila Velha-ES, a Igreja Cristã Maranata, que daqui pra frente será identificada pela sigla ICM, possui uma das mais belas histórias do Cristianismo no Brasil. Antes, no dia 31 de outubro de 1967 o município de Itacibá já havia plantado a semente da então obra denominada Igreja Cristã Presbiteriana, que mais tarde cunhou o novo nome na visão neologista, reacendendo assim a chama da evangelização a partir do Estado do Espírito Santo. Esse período de avanço missionário ficou conhecido no Brasil como Movimento de Renovação Espiritual, com o surgimento anterior das igrejas Batistas Renovadas (1965), Presbiterianas da Renovação (1975) e a onda neopentecostal (1977), as quais nesse aprobativo divino marcaram uma nova fase da história da Igreja em solo brasileiro.
A ICM assumiu uma postura neopentecostal, mesmo que em seu histórico há o registro de igreja pentecostal, não se identificou em quase nada com o movimento original surgido na Rua Azuza nos EUA em 1906, tendo em seu rol doutrinário importantes fundamentos da ortodoxia cristã.
Mas nos últimos anos uma avalanche de denúncias tem buscado manchar a conduta dos líderes da ICM no que diz respeito ao movimento financeiro da denominação. A política eclesial, administrativa e espiritual tiveram em sua mistura um resultado contrário ao que realmente a igreja prega, visto que a mesma sempre acreditou na revelação divina para seus rumos e decisões, mas que infelizmente aqui, não podemos inserir tal princípio para o assunto em questão, pois estaríamos na ironia do destino, visto que não houve uma ação “revelacional” por parte do “Espírito” que aparentemente não proferiu nenhum alerta, a não ser a velha síndrome de perseguição engessada no pré-consciente dos adeptos.
Nessa atmosfera que chamo de “Calvário” da ICM se destacam três importantes verdades expressas e visíveis:
1 – O fim de um exclusivismo evangelical;
2 – A revelação do âmago frágil denominacional; e,
3 – A perseverança dos fiéis.
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O fim de um exclusivismo proposto aqui se volta para a visão humana do “simulacro” Maranata quanto à santidade e o “puritanismo” particularizado, que incutia na mente dos membros a ideia de uma “obra intocável”, blindada espiritualmente. O chavão “obra revelada”, amplamente exposto por muitos de seus adeptos, cuja finalidade excluía qualquer possibilidade de problema por parte humana, oferecia uma falsa segurança de que esses sempre estariam na visão de um Deus que jamais permitiria qualquer tipo de escândalo ministerial, como as outras denominações assim sofrem. O suposto orgulho denominacional levou um duro golpe tendo como efeito maior o afastamento de uns poucos dissidentes no eco do “Deus meumque jus”, do direito da liberdade máxima e a “nudez” provocada pela mídia nacional.
A revelação de uma fragilidade interior mostra-nos a antiga frase de Platão que em qualquer silogismo trará sempre o resultado: “onde estiver o homem, ai está o problema”. Essa fragilidade veio de uma forma bruta, pois revelou os bastidores de uma instituição outrora livre apenas para a intervenção Divina, mas hoje não escapando do juízo da intervenção do Ministério Público. Fica como aprendizado a verdade de que colhemos apenas o que plantamos: “Não erreis: Deus não se deixa escarnecer; porque tudo o que o homem semear, isso também ceifará” Gálatas 6.7.
Por fim, a perseverança dos fiéis, que pode ser vista e reconhecida por membros que não abandonaram a denominação, mas conseguiram entender o verdadeiro chamado da Igreja de Cristo, fazendo a diferença em um mundo em crise global. Esses fiéis membros diante do grave problema não ousam abjurar a fé, mas conseguiram, e conseguem o fortalecimento pela visão bíblica, por meio da oração, da confiança nas respostas de um Deus que jamais deu as costas para os seus pequeninos, mas que de forma afável e no momento oportuno aplicará a Justiça celeste capaz de fazer com que Sua Igreja cresça em meio aos diversos conflitos, mas no poder do Espírito, pois essa foi a grande marca da Igreja primitiva: o crescimento por meio do sofrimento. E como disse Tertuliano: “O sangue dos cristãos é a semente do Evangelho”. Maranata! Ora vem Senhor Jesus.

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