terça-feira, 3 de junho de 2014

A História da Escola Dominical no Brasil


Historia da Escola Dominical
Ronaldo Rodrigues de Souza

por Ronaldo Rodrigues de Souza


Contribuições da Educação Cristã Pentecostal na Transformação da Sociedade
Resumo 
Para estabelecermos uma Escola Dominical que faça sentido na igreja e em nossa sociedade, precisamos de projetos e investimentos. É preciso dar suporte às Igrejas para que as lideranças continuem investindo na Educação Cristã. Somente por intermédio da Verdade absoluta das Escrituras Sagradas a Igreja poderá avançar e confrontar as verdades relativas dos dias atuais.  

INTRODUÇÃO
Às vezes, o ser humano costuma abrir mão do que Deus tem-lhe concedido. Ao olharmos para a introdução do povo de Israel à terra de Canaã, vemos o Senhor alertando Israel sobre o perigo do esquecimento. E o perigo se tornou realidade. A nação se esqueceu das bênçãos de Deus. Esqueceu que Ele operara de forma maravilhosa, retirando-os do Egito e caminhando com eles durante quarenta anos no deserto, orientando, guiando, cuidando do povo e, por fim, plantando-o na terra de Canaã. A Bíblia diz que se levantou outra geração que não conhecia o Senhor nosso Deus e essa geração deixou de  preservar os princípios que conduziram Israel até Canaã. Essa geração desprezou as bênçãos do Senhor e, por isso, perdeu a proteção divina. Então, Deus permitiu que povos viessem  e dominassem o povo de Israel.
As pessoas têm o hábito de, com o passar do tempo, se esquecer das coisas. Às vezes, esquecemos até porque chegamos onde hoje estamos. Sempre costumo lembrar-me de quando era um garoto de calças curtas, num povoado no interior de São Paulo. Sempre lembro-me disso para não esquecer que se estou na posição que ocupo hoje, é porque o Senhor é quem fez isso em minha vida. E eu permanecerei nessa posição enquanto mantiver esse mesmo espírito de humildade, para que o Senhor Deus continue com a sua mão estendida sobre mim.

O PERIGO DO ESQUECIMENTO
Como dado mais recente sobre o perigo do esquecimento, temos a Europa, que foi berço de grandes avivamentos. Ela foi varrida por Deus, que levantou ali homens poderosos na Palavra, pregadores fervorosos, usados naquele continente por meio de avivamentos espirituais. A transformação daquela sociedade fez com que a Europa chegasse ao ponto que está hoje, um continente próspero, abençoado e rico. Porém, se nós formos hoje à Europa, o que menos vamos encontrar lá são os princípios da Palavra de Deus. Hoje, o europeu é um homem ateu, materialista, quer eliminar a religião da sociedade. A Europa é o local que mais se aproxima daquilo que alguns estudiosos chamam de uma sociedade pós-cristã.
Pós-cristã é uma sociedade que foi cristã, que tinha seus princípios firmados na Palavra de Deus, porém se esqueceu e varreu o cristianismo de suas vidas, de suas escolas, de suas universidades, com literatura contrária à obra de Deus.
A Escola Dominical nasceu na Europa. Porém, hoje, ela despreza tudo o que o Senhor Deus fez por aquele continente. E ao falar sobre a Europa, gostaria de enfatizar acerca do início da Escola Dominical. Vamos relembrar o que aconteceu no ano de 1780, na Inglaterra, na cidade de Gloucester.

O SURGIMENTO DA ESCOLA DOMINICAL NA INGLATERRA
Naquela época, a Europa estava começando o que chamamos de Revolução Industrial, momento em que começavam a descobrir as grandes invenções, com o aparecimento de máquinas. Muitas atividades, que eram essencialmente manuais, passaram a ser feitas de forma mecânica. O homem, muito voltado para a agricultura, começou a registrar um êxodo muito grande para grandes centros, onde essas indústrias estavam sendo estabelecidas.
Gloucester foi uma dessas cidades. Ela começou a ficar cheia de homens em busca de emprego, fugindo do campo, querendo uma vida mais confortável, emprego e salário melhor. Porém, como sempre acontece, o volume de pessoas era superior à quantidade de empregos oferecida naquela cidade. Então, instalou-se a marginalidade, a violência, a bebida. A consequência foi o aumento do número de criminosos, que lotavam os cárceres.
Nesse momento, surge a figura de Robert Raikes, um servo de Deus. O pai dele possuía um jornal e, ali, Raikes sentiu de Deus a necessidade de começar um trabalho nas prisões. Ele passou a pregar aos encarcerados, mas percebeu que o seu trabalho não estava dando resultado. Havia aparente mudança, mas, em seguida, essas pessoas retornavam a cometer os mesmos crimes. Raikes percebeu que precisava fazer uma revolução social e espiritual, naquela cidade. Notou que era necessário algo além do paliativo. Ele deveria dar foco à origem dos problemas, para que aquela sociedade pudesse ser beneficiada.
No mesmo local, havia uma grande quantidade de crianças pelas ruas, porque seus pais não cuidavam das mesmas e nem sequer de si mesmos. Eram crianças carentes, sem nenhum tipo de assistência, nem em casa e tampouco assistência educacional por parte do governo. Robert Raikes, na visão de Deus, estabeleceu um projeto para arrancar aquelas crianças daquela situação. Passou a fazer reuniões para transmitir o ensinamento que deveria ser compromisso do governo. Começou a ensinar matérias básicas como matemática, cidadania, rudimentos sociais e, juntamente com isso, estabeleceu também o ensino da Palavra de Deus.
Ele implementou um projeto de experimento durante o período de três anos, e então conheceu o resultado. A consequência desse trabalho foi a transformação total  e radical, e não somente da vida daquelas crianças. O seu trabalho envolvia reuniões em alguns locais, pois as igrejas daquela época  não aceitaram inicialmente o trabalho que ele estava fazendo. Rejeitaram, porque ele realizava suas atividades no domingo e isso provocou críticas. Mas Raikes não esmoreceu. O servo do Senhor envolvia as famílias em suas atividades. Portanto, desde o início a ED está  atrelada à família, ao lar. Em pouco tempo, Raikes teve um êxito muito grande e publicou o resultado desse trabalho.
No começo, ele lia versículos  bíblicos. Depois, num segundo passo, passou a ler os versículos bíblicos com as crianças, que começaram a recitá-los. Após a leitura e a recitação, seguiu-se a decoração dos mesmos e, por fim, a interpretação dos versículos bíblicos às crianças. Dá para perceber que, desde o início, a ED sempre teve métodos.
Hoje, as conferências e congressos de ED são realizados para mostrar que, para o seu êxito, a ED deve funcionar sob regras estabelecidas. Raikes aplicou metodologia e buscou conhecer os resultados após a aplicação do projeto pelo período de três anos, ou seja, não foi um mês. Às vezes, queremos ver o resultado no mês seguinte. Porém, durante três anos, Raikes se dedicou e orou ao Senhor para que  o seu trabalho pudesse alcançar essa  magnitude, que começou a ganhar forma no século 19. A ED começou a tomar conta de toda a Inglaterra e de toda a Europa. A iniciativa de um único homem, que ousou colocar-se em uma brecha, provocou a solução. Deus confirmou o trabalho de Robert Raikes.
Hoje, temos  a maior ED do mundo, a maior agência de ensino da Palavra de Deus, por causa  de um único homem que se colocou  diante do Senhor para realizar essa obra. Ele a fez com persistência, com dedicação, com responsabilidade, e o Senhor Deus, que olha e vê tudo, estendeu a mão sobre aquele homem e aquelas vidas. Raikes se tornou o homem mais popular  de toda a Inglaterra. Passou a ser o homem mais conhecido daquele país, porque ousou ensinar a Palavra de Deus àquelas crianças.

A ESCOLA DOMINICAL  NO BRASIL
A Escola Dominical veio da parte de Deus, e ela chegou ao Brasil em 1855. Os missionários congregacionais Robert e Sara Kalley deram início à ED na cidade de Petrópolis, no Rio de Janeiro, com uma única classe e algumas crianças. Esse movimento se alastrou por toda a nossa nação, chegando até as Assembleias de Deus.
Apostila 7⁰ Congresso CPADOs missionários Daniel Berg e Gunnar Vingren, já no início de suas atividades, lançaram o jornal Boa Semente e, nos primeiros anos desse periódico, publicaram um encarte com estudos bíblicos, denominados “estudos dominicais”. Eram estudos para serem utilizados nos domingos nas igrejas. Foi um princípio, uma semente que deu lugar à revista de ED – as Lições Bíblicas. Esse trabalho cresceu e as Assembleias de Deus adotaram essa metodologia. E, hoje, em todas as igrejas, temos essa bênção, que tem sido um instrumento nas mãos de Deus.
Inicialmente, a ED no Brasil, através das ADs, alcançou somente os adultos. Depois tivemos o trabalho infantil. As nossas revistas infantis são um trabalho que vêm gradativamente se expandindo. Em toda essa obra não podemos deixar de mencionar o pastor Antonio Gilberto, homem conhecido como mestre que o Senhor Deus levantou, em nosso Brasil, colocando em seu coração a área do ensino.
Pastor Antonio Gilberto, para que os irmãos tenham ideia, foi convidado várias vezes para presidir e pastorear igrejas grandes, mas ele mesmo  me confidenciou que orava ao Senhor e sentia sua chamada para o ensino da Palavra de Deus. Louvamos a Deus porque o pastor Antonio Gilberto tem sido fiel e obediente à visão celestial que Deus tem lhe dado. Ele tem feito um grande  trabalho. Em 1974, dentre outras frentes, criou o Curso de Aperfeiçoamento para Professores de Escola Dominical (Caped), um instrumento para a formação de professores de ED. Muitos ministros do Evangelho foram chamados por Deus por meio da ministração de Caped’s.
Gostaria de relatar uma experiência que tivemos na CPAD, nos últimos anos, concernente à ED: tivemos uma mudança radical e abençoada, da parte de Deus, com relação à quantidade de alunos frequentando a Escola Dominical. Temos buscado dois princípios na ED: queremos a qualidade, para que os crentes cresçam em qualidade; e buscamos quantidade. Queremos mais pessoas frequentando a ED. Para isso realizamos um trabalho que tem dado grande resultado. Lançamos o Biênio da ED, período em que a CPAD dedicou-se em fazer um trabalho mais aperfeiçoado, com dedicação e foco direcionado à Escola Dominical. Dedicamos-nos a esse projeto durante dois anos com intensidade. A Casa envolveu com todos os seus setores e colhemos grandes resultados.
Estabelecemos algumas prioridades. A primeira delas foi a conscientização do pastor em relação à Escola Dominical. Elaboramos também uma literatura específica para auxiliar, dentro de um projeto maior, o professor de Escola Dominical.

INVESTIMENTO E CRESCIMENTO 
Realizamos, no Rio de Janeiro, o primeiro encontro nacional de superintendentes de Escola Dominical. Inicialmente, tivemos a preocupação de não termos respostas, mas, para nossa surpresa, registramos a presença de pastores e superintendentes de todo o Brasil. Os interessados tinham o mesmo pensamento e propósito da Casa Publicadora: o de melhorar a Escola Dominical. Esse evento desdobrou-se e chegamos ao primeiro Congresso de Escola Dominical, realizado também no Rio. Tivemos aquele trabalho maravilhoso, poderoso pela manifestação divina, com ensinos preciosos da Palavra de Deus. Os preletores foram usados poderosamente e houve uma grande repercussão, porque cada um saiu para sua cidade, para o seu Estado, dando testemunho do que havia ocorrido no congresso.
De lá para cá, já realizamos sete congressos nacionais e vinte e duas conferências regionais de Escola Dominical, e ainda damos continuidade à realização de Capeds. Tudo isso porque colocamos um foco, uma direção, estabelecemos um projeto e estamos nos dedicando a ele. Falar com o pastor, trabalhar com ele, e falar com o professor de ED, porque, na classe, dentro de uma estrutura de Escola Dominical, o professor é a figura mais importante. É onde pesa a maior responsabilidade. É ele que vai fazer com que o aluno retorne no domingo seguinte para a ED. Treinamos o professor, trabalhamos com ele, e realizamos um forte lançamento de literatura que realmente auxilia o professor de ED. 
Hoje, a CPAD tem um currículo completo de ED, que tem sido distribuído por toda a América Latina.
Investindo na ED, vimos multiplicar o número de alunos na ED. Poderíamos  ficar do jeito que estávamos? Onde é que estavam esses alunos? Estavam dentro de nossas igrejas, estavam participando  dos nossos cultos, porém não participavam de nossa EScola Dominical.
Nesses trabalhos de conferência e congressos, toda a equipe da Casa, com cerca de 30 pessoas, sai da CPAD e abre os ouvidos para saber o que o professor está querendo, precisando, o que não está entendendo, o que está criando dificuldade e em que a Casa pode auxiliá-los. Por isso, hoje milhares de alunos em vez de estarem em casa, estão na igreja com a Bíblia aberta e uma revista de Escola Dominical, ouvindo o professor com preciosos ensinamentos da Palavra de Deus, que vão sustentá-lo a ser uma criatura usada pelo Senhor, um instrumento nas mãos Dele.
Temos relatos surpreendentes. São centenas de testemunhos que recebemos. Igrejas que foram abençoadas, revolucionadas e transformadas através do ensino da Palavra de Deus.
Há dez anos, recebíamos solicitação de patrocínio para diferentes eventos, mas não recebíamos nenhuma solicitação de patrocínio para eventos na área de Escola Dominical. Hoje, a maior solicitação que temos é para eventos relacionados à ED. São igrejas promovendo seminários, congressos e conferências de ED. Ficamos alegres, porque sabemos que todo avivamento da parte de Deus é iniciado pelo ensino da Palavra.

CONCLUSÃO
A Escola Dominical é um instrumento de êxito, aprovado e confirmado pelo Senhor há mais de 200 anos. Se ela fosse um projeto humano, já teria terminado. Cremos que o Senhor Deus está pavimentando a nossa igreja para trazer um grande e poderoso avivamento, como uma arrancada. E a ED faz parte dessa pavimentação, pois ela não é outra coisa, senão a Igreja estudando a Palavra de Deus.

Ronaldo Rodrigues de Souza é o Diretor Executivo da Casa Publicadora das Assembléias de Deus  

Referências Bibliográficas 
COLSON, Charles; PEARCEY, Nancy. O Cristão na Cultura de Hoje: Desenvolvendo uma visão de mundo autenticamente cristã. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2006. 
GANGEL, Kenneth O; HENDRICKS, Howard G. Manual de Ensino para o Educador Cristão: Compreendendo a natureza, as bases e o alcance do verdadeiro ensino cristão. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 1999.
LEBAR, Lois E. Educação que é Cristã. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2009.

Fonte: http://www.vivabonsmomentos.com/2014/06/a-historia-da-escola-dominical-no-brasil.html

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